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Correio do Estado, Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 — página 2
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Vander Loubet vai cobrar um Lula “mais duro” com os governadores e prefeitos
VITÓRIA PETISTA DANIEL PEDRA Logo após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato, o deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT, defendeu, na noite de ontem, durante entrevista exclusiva ao Correio do Estado, uma mudança na postura do chefe do Executivo, principalmente no relacionamento com os governadores e prefeitos. Para o parlamentar, o governo federal precisa adotar uma posição mais firme e garantir que suas ações sejam reconhecidas pela população, sem transferir o protagonismo político das entregas para administrações estaduais e municipais. Vander comemorou o desempenho do presidente em Mato Grosso do Sul, onde Lula conquistou quase 40,40% dos votos válidos.
O resultado representa um crescimento superior a cinco pontos porcentuais em comparação com o primeiro turno, quando o petista recebeu 34,68% dos votos no Estado. “Nós apostamos e acreditamos. Mato Grosso do Sul contribuiu nacionalmente. Fizemos quase 41% dos votos. Nós crescemos mais de 5%. Eu acho que cada estado fez sua parte”, afirmou Vander Loubet. O deputado também destacou o papel do Nordeste na vitória presidencial, ressaltando que a região correspondeu às expectativas da campanha e ampliou o apoio ao candidato petista em relação à primeira votação. Vander mencionou Vander Loubet vai cobrar um Lula “mais duro” com os governadores e prefeitos O presidente estadual do PT acredita que Soraya Thronicke e Fábio Trad terão espaço garantido no quarto mandato 3 CORREIO DO ESTADO SEGUNDA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2026 POLITICA ainda a importância de Minas Gerais para o resultado nacional.
Apesar da comemoração, o presidente estadual do PT deixou claro que espera mudanças significativas na condução política do Palácio do Planalto a partir de janeiro de 2027. “Eu tenho certeza de que esse quarto governo dele vai ser bem diferente desse que ele está terminando, principalmente nas relações com os governadores, com os prefeitos. Eu acredito que ele tem que ser muito mais duro agora”, declarou. A principal crítica de Vander está relacionada à forma como os investimentos e programas federais chegam à população. Na avaliação do deputado, o governo de Lula destinou recursos e promoveu ações nos estados, mas não conseguiu transformar essas iniciativas em reconhecimento político na mesma proporção.
“Nós demos muito e recebemos pouco”, resumiu o parlamentar. RELAÇÃO COM RIEDEL Questionado sobre como deverá ficar a relação do governo de Lula com o governador Eduardo Riedel (PP), que apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Vander defendeu que o PT tenha participação mais efetiva na divulgação e no acompanhamento das iniciativas federais em Mato Grosso do Sul. Para o deputado, o governo federal precisa encontrar mecanismos que impeçam a apropriação política de investimentos da União por governadores e prefeitos, especialmente aqueles que fazem oposição ao presidente. “Acho que a gente tem que ser muito mais duro nessa relação e ser capitalizado pelo governo federal, e não entregar na mão dos municípios as ações do governo federal e na mão do governo do Estado”, afirmou.
A proposta defendida por Vander envolve a criação ou o fortalecimento de estruturas de articulação política capazes de acompanhar os programas federais nos estados e garantir que a população identifique a origem dos investimentos. Nesse contexto, o presidente estadual do PT apontou a mobilização dos apoiadores de Lula como uma ferramenta que deverá ser aproveitada durante o próximo mandato. Segundo ele, o chamado “exército do Lula”, formado por militantes e simpatizantes que participaram da campanha eleitoral, precisa continuar organizado depois da eleição. “Eu acho que o exército do Lula é a melhor coisa que foi feita. Acho que ele tem que utilizar isso para governar o quarto mandato. São 10 milhões de ativistas, entendeu?”
, declarou. Vander defendeu que essa estrutura de mobilização seja fortalecida e tenha participação direta na divulgação dos programas e das realizações do governo federal. “Esse exército tem que ser uma ferramenta para ajudar ele nos estados brasimanter protagonismo na articulação entre a administração federal e as lideranças petistas de Mato Grosso do Sul, especialmente em um cenário no qual o governo estadual continuará sob o comando de Eduardo Riedel. O deputado também demonstrou confiança de que a senadora Soraya Thronicke (PSB) e o advogado Fábio Trad (PT), candidato derrotado ao governo estadual, poderão ser contemplados com espaços na próxima administração federal. Ao ser questionado sobre a possibilidade de Soraya integrar o governo, Vander respondeu que acredita no reconhecimento político dos aliados que participaram da campanha presidencial.
“Com certeza, eu não tenho dúvida. Acho que ela, o Fábio, são pessoas que contribuíram muito”, afirmou. O parlamentar, entretanto, não mencionou cargos específicos nem revelou a existência de negociações concretas para acomodar os dois aliados na estrutura do Executivo federal. Ao final da entrevista, Vander destacou a atuação da militância petista em Mato Grosso do Sul, que, segundo ele, enfrentou ataques durante a campanha eleitoral, mas manteve a mobilização até o segundo turno. O presidente estadual do PT classificou os apoiadores como guerreiros e atribuiu parte importante do resultado nacional à participação dos militantes. “Acho que o exército do Lula foi fundamental para ganharmos as eleições”, concluiu.
leiros, principalmente nas divulgações e nas ações do governo”, acrescentou. FUTURO POLÍTICO Vander também comentou seu futuro político após não conseguir uma das duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado nas eleições deste ano. Questionado sobre a possibilidade de ocupar algum cargo no quarto governo de Lula, o deputado evitou demonstrar interesse imediato em uma nomeação e afirmou que sua prioridade será continuar à frente do diretório estadual do PT. “Eu quero contribuir. Eu sou presidente do PT. Esse negócio de cargo é outra coisa lá na frente, mas eu quero é ser presidente do PT e coordenar as ações do governo federal pelo PT aqui no Estado”, afirmou. A declaração reforça a intenção do parlamentar de Eu tenho certeza de que esse quarto governo dele vai ser bem diferente desse que ele está terminando, principalmente nas relações com os governadores, com os prefeitos.
Eu acredito que ele tem que ser muito mais duro agora” Vander Loubet, explicando como será a relação do presidente com os governadores e prefeitos DIVULGAÇÃO O deputado federal Vander Loubet ao lado do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva DERROTA BOLSONARISTA Riedel critica prorrogação e senadores prometem fiscalização DANIEL PEDRA EVELYN THAMARIS A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ontem provocou críticas do governador reeleito Eduardo Riedel (PP) e dos senadores eleitos Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL). Os três, que apoiaram a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defenderam a continuidade das ações do governo estadual e prometeram uma atuação de fiscalização do governo federal no Congresso Nacional.
Riedel afirmou que o resultado das urnas não mudará o planejamento de sua administração, mas deixou claro que esperava uma mudança no comando do País. O governador também questionou a decisão judicial que prorrogou o horário de votação em duas horas, classificando o episódio como prejudicial à credibilidade do processo eleitoral. “A gente não muda a trajetória de Mato Grosso do Sul. A gente vem trabalhando e tendo resultados concretos para nossa gente, investimento, inclusão social, um estado que aumenta cada vez mais a sua distribuição de renda, diminui a desigualdade e tem baixo desemprego. Nós vamos trabalhar e continuar nessa trajetória”, declarou. Ele destacou que Mato Grosso do Sul elegeu uma bancada forte para representar os interesses do Estado em Brasília, especialmente no Senado.
“A gente entende que o Brasil deveria ter um outro rumo. Entendo que a gente elegeu aqui no Estado uma bancada muito forte, dois senadores da República que têm clareza desse rumo e que estarão no Senado cobrando fortemente para que a gente tenha no Brasil uma economia diferente da que temos hoje, com responsabilidade fiscal e um trabalho direcionado para resultado para nossa gente. A democracia é assim, agora nós vamos seguir o nosso trabalho”, afirmou. DEFESA DO ESTADO Eleito senador para o mandato de 2027 a 2035, o ex-governador Reinaldo Azambuja afirmou que a vitória de Lula não altera seus compromissos com Mato Grosso do Sul. Segundo ele, as prioridades estaduais deverão ser defendidas no Congresso Nacional independentemente das divergências políticas com o governo federal.
“Nós temos um compromisso, em primeiro lugar, que a gente sempre disse, pelo Estado. Então, aquilo que é prioridade do sul-mato-grossense nós vamos lutar lá, independentemente se é com o atual presidente ou com o nosso candidato. São prioridades do povo sul-matogrossense”, declarou. Reinaldo também afirmou que o resultado eleitoral não modifica sua avaliação sobre a economia brasileira, especialmente em relação ao custo de vida. “O Brasil continua caro para os brasileiros, custo de vida alto. Claro que a gente entende que as medidas que o presidente tomou deram resultado eleitoral”, avaliou. Já o senador eleito Capitão Contar adotou um discurso mais voltado à fiscalização do Executivo federal e afirmou que a bancada sul-mato-grossense terá responsabilidade ampliada.
Para ele, a presença de dois representantes do PL no Senado permitirá maior acompanhamento das decisões do governo de Lula, especialmente das indicações políticas submetidas à análise da Casa. “A nossa missão continua a mesma. Aqui em Mato Grosso do Sul nós elegemos uma bancada muito forte. A gente vai continuar olhando, e sempre foi o nosso objetivo olhar pelo nosso Estado. Vai aumentar a nossa responsabilidade de fiscalizar esse governo federal”, afirmou. Contar sinalizou que pretende adotar uma posição rigorosa na análise das nomeações encaminhadas pelo presidente da República, sem deixar de trabalhar por investimentos e projetos de interesse estadual. “O Senado, agora falando pelos senadores, não vai se omitir com relação a essas indicações políticas que esse governo costumeiramente faz”, declarou.
O parlamentar acrescentou que sua atuação terá como foco ampliar a fiscalização das ações do Executivo. “É aumentar realmente a atenção, a fiscalização e olhar para o nosso Estado”, concluiu o bolsonarista.
Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.186 do Correio do Estado. Acervo de edições