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Lula conquista virada inédita e se reelege para 4º mandato
CLÁUDIO HUMBERTO Modelo chinês Xi Jinping está no poder na China desde 2012. Atualmente no terceiro mandato (que vai até 2028), ele pode ser reeleito indefinidamente. Eterno Vladimir Putin foi reeleito em 2024 na Rússia, vai ficar no poder até 2030, mas pode ser reeleito para outro mandato até 2036, que seria o último. Ditador hereditário Kim Jong-Un é ditador nortecoreano desde 2011. Será líder da ditadura hereditária até morrer ou transferir o poder a um dos herdeiros. Poder de verdade Lula ficará encarregado de indicar ao menos outros quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no próximo mandato. Terá 8 de 11. Senado mantém sigilo de visitas sem norma própria Para manter oculto os registros que poderiam revelar quando e quantas vezes o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes (STF), entraram no Senado, a Casa recorreu a pareceres jurídicos antigos e admitiu que a orientação usada para barrar o acesso não está formalizada em norma própria.
Ainda assim, sustenta que seus servidores são obrigados a segui-la. Argumento frágil O jurista Melillo Nascimento questiona a justificativa do Senado para manter tudo às escuras: “Isto não tem muita consistência jurídica”. Depende de quem O Senado considera a “qualificação do requerente” para decidir sobre o acesso. Melillo Nascimento aponta possível violação do princípio da impessoalidade. Convenientes velharias O Senado diz que os dados podem violar e expor contatos de senadores e cita pareceres de 2019, 2021, 2023 e 2024 para justificar o sigilo. Metade de baixo Comparando com o restante do mundo e considerando o porcentual, na Casa Baixa (Câmara dos Deputados), o Brasil ocupa a 138ª posição.
Na Casa Alta (Senado), a posição no globo melhora um pouco: 62ª. Depende do resultado Para o ex-ministro Aldo Rebelo, “ali [entre os representantes eleitos no primeiro turno] tem muito lobisomem em couro de jacaré”, disse ao “Jornal Gente”, da Bandeirantes, que prevê que alianças podem mudar. Burro na sombra Apesar de o processo eleitoral ter chegado ao fim, Câmara e Senado ainda seguem com a boa vida, sem nenhuma sessão deliberativa no plenário convocada para dar algum trabalho às excelências. Colou a pecha Voltou a circular nas redes o vídeo em que Sandra Starling, fundadora do PT, afirma: “Todo mundo hoje, quando pensa em corrupção, lembra do PT em primeiro lugar”. Ela deixou o partido após divergências internas.
Sem deputados O PT não elegeu sequer um deputado federal em sete estados: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima e Tocantins. O PL não emplacou deputados federais em três estados: Alagoas, Piauí e Sergipe. Futuro incerto Augusto Nardes alertou que o deficit de R$ 404 bilhões na Previdência ameaça aposentadorias. “Como está, não haverá aposentadoria”. O ministro do TCU citou R$ 326 bilhões em gastos fora do Orçamento. Pode esquecer Difícil acreditar que vai prosperar a promessa de transporte público grátis feita por Lula. Para sair do papel, tem que consumir quase 30% das emendas dos parlamentares, que o petista nem mesmo consultou. Bolso sente Findado o período eleitoral, o mundo real se impõe e pesa no bolso.
IPCA-15 registra que os alimentos consumidos em casa subiram 1,01% neste mês, quando o preço é comparado com o valor em setembro. Pensando bem... os institutos de pesquisa erraram feio novamente. COM RODRIGO VILELA E TIAGO VASCONCELOS Profissão: embromador Na campanha presidencial de 1989, Paulo Maluf esteve em Natal (RN) e foi entrevistado no programa do jornalista Petit das Virgens na TV. Espaçoso, foi chegando e saudando o entrevistador como a um velho amigo. Pouco mais de um mês depois, Maluf rasgaria a máscara. Ele retornou ao mesmo programa da TV Tropical e lá estava outro jornalista, Miranda Sá, substituto e fisicamente muito diferente do primeiro. Maluf o saudou, efusivo: “Olá, grande Petit das Virgens, aqui estou de volta.
Como vai a família?” PODER SEM PUDOR Reeleição iguala Lula a tiranos apegados ao poder O presidente Lula (PT), reeleito ontem para um quarto mandato à frente da Presidência da República, garantiu que vai passar 16 anos no comando do Brasil, equiparando-se a autoritários como Xi Jinping (China), Kim JongUn (Coreia do Norte), Vladimir Putin (Rússia) e seu amigo Daniel Ortega (Nicarágua). Entre brasileiros, Lula vai ficar atrás apenas de Getúlio Vargas, que chegou a 18 anos no poder. Que Deus tenha misericórdia do Brasil…” Deputado Sóstenes Cavalcante (PL), após a vitória de Lula para um quarto mandato claudiohumberto.com.br @colunach 4 POLÍTICA CORREIO DO ESTADO SEGUNDA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2026 PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Lula conquista virada inédita e se reelege para 4º mandato ESTADÃO CONTEÚDO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito, neste domingo, para um quarto e inédito mandato como presidente da República.
O presidente derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcando a primeira virada em uma disputa presidencial na história entre o primeiro e o segundo turno. Com 100% das urnas apuradas, Lula tem 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos) contra 48,21% de Flávio (59.826.041 votos). Lula ampliará o período de poder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil pósredemocratização. Esta é a sexta eleição presidencial vencida pelo PT desde o fim da ditadura militar e volta do voto direto para presidente. A sigla perdeu uma vez para Fernando Collor (então no PRN, em 1989), duas vezes para Fernando Henrique Cardoso (PSDB, em 1994 e 1998) e uma vez para Jair Bolsonaro (então no PSL, em 2018). Lula, aos 80 anos, aumentará a marca de presidente mais velho a tomar posse.
Ele completará 81 anos amanhã. Michel Temer, aos 75 anos, e Getúlio Vargas, aos 68 anos, são o segundo e o terceiro lugar nesse ranking. Lula é o líder democraticamente eleito a ocupar a Presidência do País por mais tempo e estenderá esse período por mais quatro anos. Serão 16 anos no posto mais alto do Poder Executivo do País. Getúlio Vargas ocupou o cargo por 18 anos e meio, mas a maior parte foi durante a ditadura do Estado Novo. DESAFIOS O presidente reeleito terá o desafio de liderar, nos próximos quatro anos, uma agenda de ajuste fiscal, diante da deterioração da trajetória da dívida pública ao Produto Interno Bruto (PIB). Os integrantes da campanha responsáveis pela pauta econômica já anunciaram que será necessário conter gastos para evitar uma bomba fiscal nos próximos anos.
Lula também terá de lidar Presidente impõe derrota a Flávio Bolsonaro (PL) e conquista a reeleição Lula é o líder democraticamente eleito a ocupar a Presidência do País por mais tempo e estenderá esse período por mais quatro anos RICARDO STUCKERT com um país ainda mais dividido do que em 2022 e com um Congresso mais hostil, com o fortalecimento da direita bolsonarista e o achatamento do centro liberal e do Centrão. Tem a seu favor, se souber utilizar, as numerosas mobilizações que tomaram as ruas após o primeiro turno. A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e um possível impeachment de ministros da Corte, em especial o ministro Alexandre de Moraes, também representarão um desafio para Lula neste quarto mandato.
O presidente reeleito contou, em seu terceiro mandato, com o apoio do STF para garantir sua governabilidade. Neste quarto mandato, terá de rever essa correlação de forças políticas para aprovar sua agenda. LULA 3 Lula iniciou o terceiro e inédito mandato de um presidente da República tendo de lidar, logo de cara, com os atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023. A união causada pelo episódio, somada pelo resultado eleitoral e a campanha de “frente ampla” do petista, deu ao presidente da República uma aprovação grande no início do mandato. Pouco antes disso, logo antes de assumir, teve de trabalhar com o Congresso de 2022 para aprovar uma proposta de emenda à Constituidos offshores, por exemplo.
CAMPANHA O presidente e seu entorno adotaram como estratégia evitar ataques muito contundentes a Flávio Bolsonaro logo após ele se anunciar candidato à Presidência. O objetivo era evitar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixasse o cargo e se candidatasse ao Planalto. Os petistas consideravam Tarcísio um candidato mais forte que o filho de Jair Bolsonaro. A última campanha de Lula como presidente começou oficialmente com um ato em São Bernardo do Campo, no estádio da Vila Euclides, local onde foram realizados atos históricos das greves do ABC na década de 1970. Foi uma ideia de dar à campanha um tom de despedida e de defesa do legado do político mais longevo do País em atividade.
Essa linha foi seguida ao longo de todo o primeiro turno. Após o resultado decepcionante no primeiro turno, quando ficou atrás de Flávio Bolsonaro, a campanha fez uma correção de rotas. Lula e seus aliados passaram alguns dias discutindo os erros e como mudar o rumo da disputa. CRÍTICAS Aliados de Flávio condenam decisão de ampliar o horário de votação A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o período de votação até as 19h em todo o País causou apreensão e críticas na campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. Aliados de Flávio acusam a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de interferir na eleição e tentar uma nulidade do pleito, caso o candidato do PL fosse o vencedor, com o pedido no STF.
No caso da vitória do PT, já há discursos para questionar o resultado, apesar de a própria campanha de Flávio ter pedido o adiamento da votação em alguns estados, incluindo São Paulo, Paraná e Santa Catarina. “Ele [Zanin] está tentando reverter algo que é impossível de reverter. Só vai tumultuar”, afirmou o deputado e senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ). “Abre-se a avenida para toda a anulação do pleito eleitoral”, disse o ex-deputado Alexandre Ramagem, considerado foragido da Justiça brasileira, ao lado do exdeputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, em um evento em Miami. No mesmo evento, Eduardo afirmou que, caso Lula se torne vencedor nessas condições, o resultado seria questionado. “Se isso acontecer, ocorreria uma paralisação, não haveria um reconhecimento imediato da comunidade internacional com relação a uma eventual vitória dessa do Lula”, disse.
“Ou a gente ganha. Ou a gente ganha. Tá avisado”, escreveu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) no X. Em seguida, o parlamentar postou: “Mais um impeachment pra ano que vem”. Lucas Pavanato (PL-SP), deputado federal mais votado do Brasil e parte da base de Flávio, afirmou que a decisão de Zanin “compromete a lisura e a integridade do processo, e deixa a gente preocupado: será que existe a possibilidade de uma tentativa de golpe porque eles estão perdendo, desesperados?” (EC) ção (PEC) para abarcar gastos prometidos durante a campanha, como o aumento do Bolsa Família. Depois, já na Presidência da República, Lula aprovou uma reforma tributária e uma nova regra fiscal – chamada pela sua equipe econômica, liderada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, de “novo arcabouço fiscal” – logo em seu primeiro ano de mandato.
Usou seu capital político para compensar políticas como o aumento de taxação sobre os mais ricos. Foram instituídos impostos sobre fundos exclusivos e fun
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Correio do Estado, Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 — página 5
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Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.186 do Correio do Estado. Acervo de edições