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Correio do Estado, Quarta-feira, 28 de outubro de 2026 — página 6
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Gigante mundial do aço é cliente de siderúrgica suspeita de poluir o Pantanal
R$ 544 MIL Capital contrata empresa que fará projeto do viaduto da Coca-Cola WELYSON LUCAS Quase um ano após o novo anúncio da construção do viaduto da Coca-Cola, a Prefeitura Municipal de Campo Grande formalizou um contrato de aproximadamente R$ 544 mil para a elaboração de estudos e projetos técnicos necessários para a implantação da estrutura. A contratação foi publicada ontem no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) e representa uma nova etapa administrativa para a intervenção, anunciada em novembro de 2025. O contrato foi firmado entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e o Consórcio Taquari, responsável pela elaboração dos projetos destinados à construção do viaduto na região das Avenidas Gury Marques e Dr.
Olavo Vilella de Andrade, na zona sul da Capital. Conforme o extrato do contrato, publicado no Diogrande, a empresa terá prazo de até 90 dias para executar os serviços, contado a partir do recebimento da ordem de execução. O documento, entretanto, não informa se a autorização já foi emitida, o que impossibilita estabelecer uma data exata para a conclusão dos trabalhos. O procedimento que resultou na contratação foi homologado no dia 16 de janeiro de 2025. Os recursos destinados à elaboração dos projetos são provenientes de uma operação de crédito com a Caixa Econômica Federal, por meio do Programa Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento, o Finisa VI. Apesar do avanço administrativo, o contrato não autoriza, por si só, o início da construção.
Para que as obras sejam efetivamente executadas, ainda será necessário concluir as etapas técnicas, obter as aprovações exigidas e realizar a licitação destinada à contratação da empresa responsável pela intervenção. LICITAÇÃO A construção do viaduto foi ber o fluxo de motoristas que transitam entre bairros e importantes corredores viários. O projeto anunciado prevê a implantação de um viaduto estaiado, modelo estrutural sustentado por cabos inclinados, além de intervenções de pavimentação e drenagem. A proposta busca reorganizar a circulação de veículos e reduzir os conflitos de tráfego na rotatória. Embora o investimento tenha sido inicialmente estimado em R$ 90 milhões, o custo previsto para a construção foi atualizado ao longo deste ano.
Em setembro, o titular da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), Guilherme Alcântara, informou que a obra poderia exigir entre R$ 100 milhões e R$ 110 milhões, valor superior ao divulgado quando o empreendimento voltou a ser anunciado. Na ocasião, o secretário explicou que o governo do Estado aguardava a entrega oficial do projeto pela Prefeitura para dar prosseguimento à licitação. A documentação também deverá passar por análises técnicas da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) e da Caixa Econômica Federal. BR-262 PRF apreende mais de 700 kg de cocaína em caminhão condiam os entorpecentes. Dos 726,8 kg de cocaína apreendidos, 347,9 kg eram de pasta-base e 378,9 kg de cloridrato de cocaína.
A carga também incluía 418 kg de skunk, variedade mais potente da maconha, e 13,2 kg de haxixe. Aos policiais, o motorista relatou que havia recebido a carga ilícita em Corumbá e que deveria transportá-la até o município de Miranda, também localizado na região oeste do Estado. O homem foi preso em flagrante e encaminhado, com os entorpecentes e as armas apreendidas, à Delegacia da Polícia Federal em Corumbá. OPERAÇÃO A apreensão ocorre 12 dias após a deflagração da Operação Capolinea, realizada no dia 15 de outubro pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FiccoMS), que teve entre os alvos o narcotraficante Gerson Palermo, apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de fronteira.
ALICIA MIYASHIRO A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 726 quilos de cocaína durante fiscalização realizada ontem, na BR262, em Corumbá, município localizado na região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e a Bolívia. Além da cocaína, os agentes encontraram 418 kg de skunk, 13,2 kg de haxixe e duas pistolas calibre 9 mm. O motorista do caminhão foi preso em flagrante. A apreensão ocorreu durante uma abordagem de rotina na rodovia. Ao ser questionado sobre a viagem, o condutor afirmou que o caminhão estava vazio porque uma pane mecânica havia impedido o carregamento da mercadoria. No entanto, ao solicitar mais informações sobre o trajeto, os policiais perceberam contradições nas respostas do motorista, o que levantou suspeitas e motivou uma vistoria mais detalhada no veículo.
Durante a inspeção do compartimento de carga, a equipe encontrou diversos sacos pretos que esanunciada em novembro de 2025, como parte de um conjunto de investimentos destinados à melhoria da mobilidade urbana de Campo Grande. Na ocasião, o custo estimado era de aproximadamente R$ 90 milhões, com participação de recursos federais e contrapartida do governo do Estado. Em dezembro do mesmo ano, foi publicado no Diário Oficial da União o extrato de um contrato de repasse que prevê R$ 86,98 milhões para a intervenção – R$ 86,12 milhões provenientes da União e cerca de R$ 861 mil de contrapartida estadual. A estrutura deverá substituir a atual rotatória conhecida como Coca-Cola, localizada na confluência das Avenidas Gury Marques, Avenida Costa e Silva, Avenida Senador Antônio Mendes Canale e Avenida Dr.
Olavo Vilella de Andrade. O trecho é considerado um dos pontos críticos da circulação de veículos na região sul da Capital, por concentrar diferentes acessos e receGigante mundial do aço é cliente de siderúrgica suspeita de poluir o Pantanal AQUIDAUANA ArcelorMittal comprou 45,5 mil toneladas de ferro-gusa da Simasul enquanto siderúrgica operava com licença provisória EDUARDO MIRANDA A europeia ArcelorMittal, segunda maior produtora de aço do mundo, é a maior compradora de ferro-gusa da Simasul, siderúrgica localizada em Aquidauana que opera um de seus fornos sem a licença devida, com potencial risco de poluir a região, situada no bioma Pantanal. Conforme relatórios de comercialização, aos quais o Correio do Estado teve acesso, o gigante mundial do aço comprou nada menos que 45,5 mil toneladas de ferro-gusa da empresa sulmato-grossense no período de março a julho deste ano.
O período em que a gigante do aço comprou o produto da empresa é justamente o mesmo em que a Simasul operava com licença provisória, concedida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) em março deste ano, e não há indício de que pretenda conseguir a licença definitiva, também chamada de licença de operação. A cadeia da mineração e da siderurgia tem sido alvo de cobranças e exigências maiores por parte do governo e de ambientalistas em função do risco ambiental, o que levou todas as empresas do setor a implementarem políticas de governança te declaração: “Nos casos em que a ArcelorMittal apura que um parceiro de negócios pode não estar atendendo aos requisitos estabelecidos por seu programa de compliance, ética e sustentabilidade, a companhia adota medidas imediatas de verificação e resposta”.
OUTRO LADO O Correio do Estado procurou a Simasul, que informou não ter recebido nenhuma intimação, denúncia ou procedimento recente do MPMS. “Quanto à denúncia, apócrifa e anônima, junto à Polícia Civil, mais especificamente à Decat [Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Atendimento ao Turista], esclarece-se que a Simasul está contribuindo com as investigações, inclusive aguardando o resultado da perícia realizada. Com o resultado, todas as medidas serão tomadas para responsabilizar os responsáveis por essas acusações”, informou. Sobre a ausência de licença, a empresa diz que se trata de uma “afirmação falsa”. “A siderúrgica se encontra com licenças válidas e vigentes junto ao Imasul, sem qualquer irregularidade”.
A empresa não detalhou se as licenças vigentes são provisórias ou de operação. autoriza exclusivamente o funcionamento do alto-forno 2, com capacidade máxima de 300 toneladas diárias de ferro-gusa, e veda expressamente a operação conjunta com o alto-forno 1. No entanto, para expandir sua infraestrutura industrial para até 600 toneladas diárias, a empresa obteve uma licença de instalação no início deste ano. O documento autoriza a montagem física dos equipamentos, mas proíbe terminantemente o início da atividade comercial sem a emissão prévia de uma nova licença operacional. Com apenas 300 toneladas por dia, a Simasul não teria capacidade para atender à demanda da ArcelorMittal. COMPLIANCE O Correio do Estado procurou a multinacional europeia, com sede em Luxemburgo, que informou: “A ArcelorMittal possui políticas corporativas de compliance, ética e sustentabilidade que estão alinhadas com as melhores práticas de mercado e que incluem processos de avaliação e monitoramento de fornecedores”.
“Nesse sentido, os parceiros comerciais da ArcelorMittal devem atender aos requisitos estabelecidos em seu Código de Conduta para Fornecedores, que conSimasul produz ferro-gusa em Aquidauana, na região do Pantanal DIVULGAÇÃO Nos casos em que a ArcelorMittal apura que um parceiro de negócios pode não estar atendendo aos requisitos estabelecidos por seu programa de compliance, ética e sustentabilidade, a companhia adota medidas imediatas de verificação e resposta” Nota da ArcelorMittal, ao ser questionada sobre a situação de sua fornecedora, a Simasul templa aspectos legais, ambientais, sociais e de governança. A companhia acompanha permanentemente a conformidade de sua cadeia de suprimentos por meio de diversas iniciativas de monitoramento, incluindo a auditoria de fornecedores em questões ambientais”, afirmou o gigante mundial do aço.
A resposta da empresa sobre o caso da Simasul não foi específica, mas a ArcelorMittal enviou a seguinvoltadas a questões sociais e à sustentabilidade, prática conhecida mundialmente pela sigla ESG. Em reportagem publicada no dia 13, o Correio do Estado mostrou que a Simasul poderia estar poluindo o Pantanal com o aval do Imasul. Um dos fornos da siderúrgica (alto-forno 1) não tem licença de operação, conta apenas com uma licença provisória para comissionamento (manutenção rápida ou pequenos ajustes para a obtenção de uma licença definitiva). Além do risco de poluição do ar, a atividade da empresa também é danosa aos cursos d’água da região. A Simasul é alvo de uma investigação criminal, conduzida pela Polícia Civil, e de um inquérito civil, aberto pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por sua atividade potencialmente poluidora, entre outros motivos.
A engrenagem documental que sustenta essa operação irregular se fundamenta em uma sobreposição de licenças concedidas pelo órgão ambiental do Estado. Formalmente, a Simasul Siderurgia Ltda., instalada no Bairro Exposição, em Aquidauana, tem licença de operação para apenas um de seus fornos. O documento (LO nº 001697, de 2023)
Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.188 do Correio do Estado. Acervo de edições