Correio do Estado

Sábado, 24 de outubro de 202624/10/2026

Edição nº 23.185

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Correio do Estado, Sábado, 24 de outubro de 2026 — página 2

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Em MS, 11 cidades mudaram de lado nas eleições presidenciais desde 2002

VIRADA NAS URNAS DANIEL PEDRA O comportamento eleitoral de 11 municípios de Mato Grosso do Sul revela uma sequência de mudanças na preferência dos eleitores nas três últimas eleições presidenciais. Essas cidades deram a maior votação a Jair Bolsonaro (PSL) em 2018, passaram a apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 e, no primeiro turno deste ano, escolheram Flávio Bolsonaro (PL). O grupo representa 13,9% dos 79 municípios sul-mato-grossenses e chama atenção na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República. As 11 cidades que apresentaram essa alternância são Alcinópolis, Anaurilândia, Angélica, Aquidauana, Bodoquena, Corumbá, Jaraguari, Jateí, Ladário, Novo Horizonte do Sul e Terenos.

O levantamento considera os resultados dos primeiros turnos das eleições presidenciais de 2018, 2022 e 2026. Em todos esses municípios, Jair Bolsonaro liderou a votação em 2018, perdeu a preferência para Lula quatro anos depois e viu seu filho, Flávio Bolsonaro, recuperar a primeira colocação neste ano. O movimento é particularmente significativo porque ocorreu em cidades de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, incluindo municípios populosos como Corumbá e Aquidauana, além de localidades menores, como Jateí, Alcinópolis e Em MS, 11 cidades mudaram de lado nas eleições presidenciais desde 2002 Levantamento identifica os municípios que alternaram a preferência entre candidatos do PT e do campo bolsonarista JUDICIÁRIO ESTADUAL Sete juízes e duas juízas disputam vaga de desembargador no TJMS O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) oficializou, na sexta-feira, a relação de nove magistrados que disputam uma vaga de desembargador na Corte.

A lista, publicada na página 12 do Diário da Justiça Eletrônico, edição nº 5974, reúne sete homens e duas mulheres. A escolha será feita pelo critério de merecimento. A vaga foi aberta com a aposentadoria do desembargador Lúcio Raimundo da Silveira, que deixou o cargo após atingir a idade de 75 anos, limite estabelecido para a aposentadoria compulsória dos integrantes do Poder Judiciário. Conforme a decisão publicada no Diário da Justiça, o presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan, deferiu as nove inscrições ad referendum do Conselho Superior da Magistratura, ou seja, sujeitas à confirmação pelo colegiado. O procedimento está previsto no Edital nº 36/2026 e envolve juízes de direito de entrância especial.

Entre as candidatas estão Eliane de Freitas Lima Vicente, titular da 10ª Vara do Juizado Especial de Campo Grande, atualmente convocada para atuar no segundo grau de jurisdição, e Katy Braun do Prado, da Vara da Infância, da Adolescência e do Idoso da Capital. Também concorrem Alexandre Antunes da Silva, titular da Vara da Justiça Militar Estadual e juiz auxiliar da vice-presidência do TJMS; Fábio Possik Salamene, juiz substituto em segundo grau; e Ricardo Gomes Façanha, titular da 2ª Vara Bancária, atualmente convocado para atuar na segunda instância. Completam a relação David de Oliveira Gomes Filho, da 3ª Vara do Juizado Especial; Marcelo Andrade Campos Silva, da 4ª Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos; Olivar Augusto Roberti Coneglian, da Vara da Execução Fiscal do Interior; e Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal.

Todos estão vinculados à Justiça estadual em Campo Grande, incluindo magistrados que exercem funções no segundo grau. Na decisão, Pavan fundamentou o deferimento das candidaturas no artigo 93 da Constituição Federal, na Resolução nº 106/2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no artigo 194 do Código de Organização e Divisão Judiciárias de Mato Grosso do Sul. O deferimento das inscrições não significa que a escolha já tenha sido realizada. A definição do novo desembargador ainda dependerá das etapas de avaliação e deliberação previstas nas normas da magistratura. MINORIA A disputa também chama atenção pela baixa participação feminina na composição do TJMS. Das 37 cadeiras previstas na estrutura do tribunal, apenas cinco são ocupadas por mulheres, o equivalente a aproximadamente 13,5% do total.

Entre elas está Ana Carolina Ali Garcia, que assumiu recentemente uma vaga destinada à advocacia pelo quinto constitucional. Desde janeiro de 2024, está em vigor a Resolução nº 525 do Conselho Nacional de Justiça, que estabelece medidas para ampliar a presença de mulheres nos tribunais de segunda instância. A norma determina a alternância entre editais mistos, abertos a homens e mulheres, e editais exclusivos para magistradas nas promoções por merecimento, enquanto não for alcançado o porcentual mínimo de 40% de mulheres nos cargos destinados à magistratura de carreira. No caso da seleção atual, o edital permite a participação de ambos os sexos. A existência de apenas duas candidatas entre os nove inscritos evidencia a predominância masculina na disputa pela vaga aberta na Corte sul-mato-grossense.

(DP) 3 CORREIO DO ESTADO SÁBADO/DOMINGO, 24/25 DE OUTUBRO DE 2026 POLITICA Novo Horizonte do Sul. Em Corumbá, por exemplo, Lula havia superado Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022, quando recebeu 46,85% dos votos válidos, contra aproximadamente 44,7% do adversário, enquanto neste ano a situação se inverteu: Flávio Bolsonaro alcançou cerca de 49,4% e o presidente ficou com aproximadamente 45%. Aquidauana também apresentou uma disputa equilibrada em 2022, quando Lula recebeu 47,44% dos votos válidos, contra 46,19% de Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, o município passou a integrar o grupo de cidades em que Flávio terminou na primeira colocação. A alternância dos 11 municípios faz parte de uma mudança mais ampla no mapa eleitoral sul-matogrossense.

Em 2022, Lula havia sido o candidato mais votado em 21 cidades do Estado; no primeiro turno deste ano, esse número caiu para apenas seis. Isso significa que 15 municípios que haviam dado vitória ao petista passaram a favorecer Flávio Bolsonaro. Além das 11 cidades com histórico de mudanças nas três eleições, outras quatro localidades completam a relação: Itaquiraí, Juti, Selvíria e Taquarussu. Esses quatro municípios apresentam uma característica diferente. Ao contrário das outras 11 cidades, já haviam dado a maior votação ao candidato do PT, Fernando Haddad, em 2018. Mantiveram a preferência pela legenda em 2022, com Lula, mas passaram para Flávio Bolsonaro neste ano. Dessa forma, a comparação das três eleições mostra dois movimentos distintos: 11 municípios alternaram a liderança entre candidatos do campo bolsonarista e do PT nas três disputas, enquanto outros quatro permaneceram com o PT durante duas eleições consecutivas antes da mudança registrada neste mês.

APENAS SEIS As seis cidades em que Lula conseguiu manter a primeira colocação em Mato Grosso do Sul são Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina. Esses municípios apresentam uma característica em comum: deram vitória ao PT nas três últimas eleições presidenciais, primeiro com Fernando Haddad, em 2018, e depois com Lula, em 2022 e 2026. Japorã continua sendo o município com maior votação proporcional do presidente no Estado. No primeiro turno deste ano, Lula recebeu 67,26% dos votos válidos, contra 29,84% de Flávio Bolsonaro. Em Vicentina, a disputa foi mais equilibrada. O petista recebeu 2.237 votos, equivalentes a 47,86%, enquanto o candidato do PL conquistou 2.164 votos, ou 46,30%.

A diferença foi de apenas 73 votos. O avanço de Flávio Bolsonaro também aparece na quantidade de municípios em que o candidato liderou a votação. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu em 69 cidades de Mato Grosso do Sul, enquanto Fernando Haddad ficou à frente em 10. Em 2022, a distribuição mudou: Jair Bolsonaro liderou em 57 municípios, Lula venceu em 21 e Coronel Sapucaia registrou empate entre os dois candidatos. No primeiro turno deste ano, Flávio Bolsonaro terminou à frente em 73 cidades, enquanto Lula venceu em apenas seis, o menor número de municípios conquistados pelo PT nas três últimas eleições presidenciais. VOTAÇÃO Na votação estadual, Flávio Bolsonaro recebeu 873.351 votos no primeiro turno deste ano, o equivalente a 58,60% dos válidos.

Lula conquistou 516.855 votos, ou 34,68%. A diferença de 356.496 votos evidencia a vantagem obtida pelo candidato do PL no eleitorado sulmato-grossense, mas não permite antecipar o comportamento das urnas no segundo turno. Outro fator relevante é a abstenção. No primeiro turno, 483.210 eleitores deixaram de comparecer às urnas, representando 23,87% do eleitorado de Mato Grosso do Sul. Esse contingente supera a diferença de votos entre os dois candidatos no Estado. O histórico das cidades que mudaram de preferência eleitoral, combinado com o número de eleitores ausentes no primeiro turno, oferece elementos importantes para analisar a votação de domingo. Entretanto, a alternância registrada nos municípios não significa necessariamente que os mesmos eleitores tenham mudado de candidato ao longo das três eleições.

Os resultados mostram a preferência predominante em cada localidade, sem identificar individualmente as escolhas dos votantes.

Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.185 do Correio do Estado. Acervo de edições

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