Correio do Estado

Terça-feira, 27 de outubro de 202627/10/2026

Edição nº 23.187

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Correio do Estado, Terça-feira, 27 de outubro de 2026 — página 12

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Caça-pesquisas: dose para a virada

CORREIO DO ESTADO TERÇA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2026 5 CORREIO B Sem blindagem Se tivesse sido eleito presidente da República, Flávio Bolsonaro ficaria blindado de uma série de escândalos pelos próximos quatro anos. A faixa presidencial funcionaria como um escudo, já que os presidentes só podem ser processados por crimes cometidos durante o mandato, conforme as regras aplicáveis à responsabilização por atos anteriores ao exercício do cargo. Ao se candidatar, Flávio prometeu tirar o pai da cadeia. Faltou dizer que também procurava proteção para continuar fora dela. Eduardo Bolsonaro não estava brincando quando declarou, na semana passada: “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que ele saia do País”.

Eu quero que 100% dos presidiários votem em mim. Até o teu pai. Bolsonaro, vota em mim! Você conhece seu filho. Até você sabe que eu sou melhor que ele” Lula disse a Flávio Bolsonaro, em debate na TV, e convocou o ex-presidente a votar nele Mais: a medida não foi resultado apenas de um pedido do PT feito ao Supremo, pois, em vários locais, havia problemas com o transporte, que estava atrasado. Detalhe: o PL, partido de Flávio, também fez o mesmo pedido à Corte. E Edson Fachin, presidente do Supremo, quando consultado, apoiou a medida. O presidente da OAB, Beto Simonetti, defende que o resultado das eleições seja respeitado. “A democracia se fez com rigor e com as próprias regras”. Ele não viu nada de errado na decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou a votação por mais duas horas, apenas para as seções que ainda estivessem abertas.

Caça-pesquisas: dose para a virada N a última semana da campanha de Lula, a ordem era promover um “caça-pesquisas”. O objetivo era garimpar o maior volume possível de dados que pudessem virar peças de propaganda e convencer parte do eleitorado. Em uma eleição acirrada, além dos levantamentos de maior expressão como Datafolha, Quaest e Nexus/BTG, conforme esta coluna já comentou, valiam pesquisas praticamente assinadas por institutos quase desconhecidos. A missão mais árdua da campanha de Lula era alimentar a hipótese de uma virada, também com o combustível das manifestações de rua. As duas manifestações na Avenida Paulista, às vésperas do segundo turno, foram mais do que surpreendentes em tamanho, e nelas se entoava o mote “Vira Lula”.

A aposta da campanha encontrava respaldo em estudos sobre o chamado bandwagon effect, quando a tendência do eleitorado é aderir ao candidato percebido como provável vencedor. Somam-se a isso o “Exército de Lula”, que atingiu 10 milhões de integrantes, a coordenação de Camilo Santana, a atuação de Alckmin e uma megacampanha no Instagram e no Facebook, na qual se chegou a R$ 3 milhões em propaganda em apenas dois dias. Na votação, o volume de indecisos diminuiu mais do que o esperado. Esse grupo era formado, segundo estudo do Instituto Ideia, por mulheres da classe C residentes no Sudeste, desgastadas pela polarização, e representava um contingente de 3% a 4% do eleitorado. De quebra, já tem um ministério à espera de André Janones no novo governo.

Até a rainha do grito merece um intervalo entre um susto e outro! Jenna Ortega, de 24 anos, planeja diminuir o ritmo na televisão e dedicar mais tempo ao cinema após anos de gravações intensas. Em entrevista ao podcast “Happy Sad Confused”, a estrela de “Wandinha” revelou que pretende se afastar temporariamente das séries. Atriz desde criança, ela busca novos caminhos profissionais depois de uma trajetória marcada por uma rotina exigente, que chegou a fazê-la pensar em abandonar a carreira. Nas telonas, Jenna já deixou sua marca em produções como “Beetlejuice Beetlejuice” e “Death of a Unicorn”. Apelidada de rainha do grito da Geração Z, também deixou a franquia “Pânico”. Enquanto a atriz reorganiza a carreira, “Wandinha” se prepara para voltar.

A terceira temporada encerrou as filmagens em setembro e tem estreia prevista para 2027, com novidades no elenco, incluindo Winona Ryder e Eva Green. Depois de tantos sustos diante das câmeras, Jenna quer experimentar uma novidade: ter tempo para si mesma. Afinal, até quem faz o público gritar precisa, de vez em quando, desligar os refletores. Diminuindo o ritmo Mãos poderosas Não chega a ser novidade a pretensão de Flávio Bolsonaro de recorrer à Justiça para tentar cancelar o resultado do segundo turno, com a eleição de Lula. Ninguém esquece o esforço que Jair Bolsonaro fez depois de ser derrotado por Lula e de ter sido libertado da cadeia. Chegava a perguntar aos aliados mais próximos se alguém conhecia alguma saída para derrubar o resultado.

Na época, muitos diziam que foi a partir daí que ele voltou a pensar em um golpe. No domingo, alguns irônicos lembravam de FHC, que, anos atrás, sentou na cadeira da prefeitura de São Paulo achando que estava eleito, mas perdeu para Jânio, que mandou desinfetar a sala. Hoje, depois de revirar celulares e documentos, a PF chegou à conclusão de que Vorcaro era um banqueiro versátil. Queria, havia algum tempo, entrar no setor venezuelano de petróleo. Não tinha grande conhecimento da área e tomou um grande prejuízo em Caracas. Tinha também interesses no fundo da Marinha do governo, investia em mineração e atuava ainda em um contrato gigantesco na área da saúde. Praticamente, estava em todas as áreas ao mesmo tempo.

Os resultados eram dos mais discutíveis. A poucos meses do fim do atual governo de Lula e imaginando que Flávio Bolsonaro seria eleito presidente da República, os Correios decidiram comprar mais de 68 mil microcomputadores de última geração. O custo do negócio é mantido em sigilo pela estatal, que está praticamente em situação pré-falimentar e sem saber como se reerguer. Hoje, os Correios acumulam 16 trimestres consecutivos de resultados negativos. Registraram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e acumularam mais R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. O patrimônio líquido dos Correios está negativo em R$ 16,2 bilhões. Para manter ocultos os registros que podem revelar quando e quantas vezes Daniel Vorcaro, do Banco Master, Lulinha, filho do presidente Lula, e Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, entraram no Senado, a Casa recorreu a pareceres jurídicos antigos e admitiu que a orientação usada para barrar o acesso não está formalizada em norma própria.

Mesmo assim, afirma que seus servidores são obrigados a segui-la. Sorrisos, cabelos, olhares, pés, pernas e looks costumam disputar a atenção dos holofotes, mas, desta vez, quem roubou a cena foram as mãos! Marina Ruy Barbosa, Bruna Marquezine e Iza, porém, se destacam até na ponta dos dedos! As três lideram o ranking das mãos mais bonitas do Brasil, elaborado pela plataforma Fatal Fans, que utilizou inteligência artificial para analisar proporção, simetria e formato dos dedos e das unhas nas fotos que as famosas publicam. Também pesaram as preferências de quem consome conteúdo sobre mãos, o chamado fetiche da quirofilia. Marina ficou em primeiro lugar, graças à harmonia entre mãos, dedos e unhas, geralmente com esmaltes discretos.

Bruna conquistou a segunda posição pelo desenho dos dedos e pelo contorno das mãos. Já Iza levou o bronze, fechando o pódio pelo equilíbrio no comprimento dos dedos, com unhas bemproporcionadas e francesinha clássica. Do quarto ao 10º lugar aparecem Taís Araújo, Jade Picon, Sabrina Sato, Larissa Manoela, Maisa, Carla Diaz e Vitória Strada, respectivamente. No fim, a tecnologia analisou cada detalhe, mas deixou uma dúvida no ar: será que, agora, até as mãos precisam de currículo para fazer sucesso? Ninguém esperava Ruth de Aquino, respeitada figura histórica do jornalismo e hoje colunista, disse que a grande novidade do segundo turno foi a virada nas ruas e nas redes sociais. Ninguém esperava, nem a extrema esquerda, nem o PT.

Para ela, ninguém esperava essa afluência de jovens engajados, pedindo à direita que se unisse à esquerda contra o bolsonarismo. Ninguém esperava a virada digital das tropas analógicas do PT. Um “Exército de Lula”. Ninguém esperava que um jornal conservador tivesse 31 reportagens censuradas pela Meta, com uma atuação tão descarada das big techs e de seus algoritmos a favor do candidato de Donald Trump. E houve ainda o escândalo de Willer Tomaz, o grande amigo de Flávio 01, com a volta do negacionismo e da vulgaridade. Política no TSE 1 As eleições deste ano, sobretudo a presidencial, entram para a história pelo protagonismo exacerbado, com notas de engajamento político, da maioria governista no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além do chamado “TSE paralelo”, de prontidão para desfazer decisões que desagradem ao candidato à reeleição.

Foi Lula quem escolheu a dedo e nomeou quatro ministros do atual TSE, que fizeram oposição, quase a ponto de fazer esquecer o engajamento do tribunal em 2022. Os ministros assumiram um protagonismo maior do que o dos próprios candidatos. Política no TSE 2 A bancada governista do TSE não desapontou quem nomeou seus integrantes e se tornou talvez o maior suporte da campanha de Lula. Ministros alinhados ao petista dispensaram a atuação do “TSE paralelo”, neutralizando de véspera até eventuais decisões que ainda não haviam sido tomadas pelo presidente da Corte. No fim da semana passada, um ministro alinhado a Lula anulou uma eventual suspensão do grupo lulista de WhatsApp, grande aposta do presidente no segundo turno, que difundia notícias falsas.

GIBA UM Acompanhe também agora o Giba Um no seu canal no YouTube youtube.com/@GibaUmExpress “Novo jeito” Eleito por uma margem apertada, em uma virada inédita, Lula deve montar um ministério que concilie o apoio do Congresso com a preparação de sua sucessão na esquerda. Após sete disputas presidenciais, às vésperas de completar 81 anos e impedido de disputar a eleição em 2030, o petista encerrará sua carreira política. Diante de um Congresso dominado pela oposição, Lula terá de governar mais ao centro e ampliar o espaço dos partidos na Esplanada. Ainda assim, aliados defendem que pastas estratégicas fiquem com companheiros de primeira hora. Lula também prometeu um “novo jeito de governar”, com participação popular e mobilizações de rua para pressionar o Congresso.

Bem cotados Aliados de plantão já fazem um balanço do que acontecerá com figuras petistas que formaram nos ministérios deste governo e que eventualmente não se elegeram, em os novos desafios. Além do senador Camilo Santana, o primeiro nome sempre lembrado, Guilherme Boulos deve seguir na Secretaria-Geral da Presidência, e Gleisi Hoffmann, que não se elegeu para o Senado, pode assumir o Ministério do Desenvolvimento Social. Rui Costa, eleito senador pela Bahia, pode assumir uma pasta de infraestrutura, enquanto Esther Dweck pode ficar com o Planejamento, após a saída de Simone Tebet. Já Renan Filho, elogiado por Lula à frente do Ministério dos Transportes, deverá voltar ao governo em outra pasta ligada à infraestrutura.

MISTURA FINA COLABORAÇÃO: PAULA RODRIGUES Saia balonê midi Saia balonê longa IN OUT gibaum@gibaum.com.br Não é novidade Figuras do Centrão davam risada quando a desaprovação do governo de Lula estava no auge e o próprio presidente deixava dúvidas sobre se disputaria ou não a reeleição. A maioria apostava que ele nunca abriria mão de disputar o pleito. E o PT não tinha mais ninguém para enfrentar o bolsonarismo – Flávio ainda não havia sido escolhido por Jair. Ainda no domingo, já havia petistas pensando em quem seria o candidato à sucessão de Lula, em seu quarto mandato, diante do fim de sua carreira. Nada de Fernando Haddad: ninguém mais aguenta. E, para surpresa de muitos, já se falava, como há alguns meses, no nome de Camilo Santana, ex-ministro e agora um dos responsáveis pela virada, que, antes disso, deverá ser o novo chefe da Casa Civil.

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Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.187 do Correio do Estado. Acervo de edições

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