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Correio do Estado, Sábado, 31 de outubro de 2026 — página 4
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Arroba do boi sobe 18,9% em MS e chega a R$ 376
PECUÁRIA O preço da arroba do boi gordo chegou a R$ 376,39 em Mato Grosso do Sul nesta sexta-feira, considerando o valor do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Sem o imposto, a cotação ficou em R$ 370,26. No mesmo dia, a arroba da vaca gorda alcançou R$ 357,00 com o Funrural e R$ 351,18 no mercado livre do tributo. Conforme os dados da Granos Corretora, os valores representam uma recuperação em relação à terça-feira, quando o boi gordo era negociado a R$ 374,58 com o Funrural e R$ 368,48 sem o desconto. No intervalo de três dias, a valorização foi de R$ 1,81 por arroba no primeiro caso e de R$ 1,78 no segundo caso. Para a vaca, o avanço foi um pouco maior. A cotação passou de R$ 352,92 para R$ 357,00 com Funrural, aumento de R$ 4,08 por arroba.
Sem o imposto, saiu de R$ 347,17 para R$ 351,18, acréscimo de R$ 4,01. As cotações, divulgadas pela Federação da AgricultuSÚZAN BENITES ra e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), refletem a recuperação dos preços no mercado pecuário estadual nos fim de outubro. Durante o período, entretanto, houve oscilações. Na quarta-feira, por exemplo, o boi chegou a R$ 378,33 com o Funrural, enquanto a vaca era negociada a R$ 360,83. No dia seguinte, os valores recuaram antes de apresentar nova recuperação. OFERTA RESTRITA A movimentação ocorre em um cenário de oferta mais restrita de animais terminados. “A menor oferta de animais terminados segue como principal fator de sustentação das cotações. Do lado da demanda, a proximidade do fim do ano tende a favorecer o consumo interno, contribuindo para a manutenção dos preços em patamares elevados”, aponta o boletim técnico da Famasul.
Os números de abate ajudam a explicar a pressão sobre a oferta. Em setembro, Mato Grosso do Sul movimentou 302,8 mil bovinos destinados ao abate, redução de 6% em relação a agosto e de 15% na comparação com setembro de 2025, quando foram registrados 356,3 mil animais. No acumulado de janeiro a setembro, o Estado contabilizou aproximadamenArroba do boi sobe 18,9% em MS e chega a R$ 376 Cotações avançaram no fim de outubro, sustentadas pela menor oferta de animais te 3 milhões de cabeças abatidas, queda de 6,6% frente aos 3,21 milhões registrados nos nove primeiros meses do ano passado. Ainda conforme os dados da Granos Corretora, o boi gordo acumula valorização de 18,9% em relação a outubro de 2025, enquanto a arroba da vaca apresenta alta de 21,8%.
Os porcentuais foram calculados com base nos preços de referência desta sexta-feira e indicam que a valorização das fêmeas foi superior à dos machos no comparativo anual. EXPORTAÇÕES Para o mestre em Economia Eugênio Pavão, o avanço dos preços está diretamente ligado ao perfil exportador de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a carne bovina é uma das principais fontes de geração de divisas para o Estado e o aumento das vendas externas reduz a disponibilidade do produto no mercado interno. “A carne é uma das principais fontes de recursos do exterior para Mato Grosso do Sul. Mesmo diante das restrições impostas por alguns mercados, como as cotas da China, e por estar entre os produtos isentos da taxação americana, o setor continua fortemente voltado às exportações”, afirma.
Conforme dados do MDIC as exportações de carne bovina in natura de MS somaram US$ 1,64 bilhão entre janeiro e setembro, com embarques de 260,5 mil toneladas. A receita cresceu 26,3% e o volume avançou 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. A China permaneceu como principal destino da produção estadual, com 36,7% do faturamento das exportações e compras de 94,2 mil toneladas. Segundo o economista, quanto maior a quantidade destinada ao mercado externo, menor tende a ser a oferta local. “A oferta internacional representa uma redução da oferta interna e isso acaba contribuindo para o aumento dos preços no varejo”. Pavão ainda explica que o aumento da arroba não chega imediatamente ao consumidor porque a carne percorre uma longa cadeia até chegar às prateleiras, mas que o reflexo deve chegar ao consumidor final.
“O produtor rural vende para os frigoríficos. Depois, a carne segue para grandes distribuidores e, somente então, chega aos supermercados, açougues e restaurantes. Em cada etapa existem custos, margens e negociações que influenciam a formação do preço final. Neste momento, a formação dos preços é determinada pelas condições de mercado. A concorrência, os estoques de carne congelada e outros fatores acabam influenciando diretamente os reajustes”. ECONOMIA 5 CORREIO DO ESTADO SÁBADO/DOMINGO, 31 DE OUTUBRO/ 1º DE NOVEMBRO DE 2026
Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.191 do Correio do Estado. Acervo de edições