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Correio do Estado, Sábado, 31 de outubro de 2026 — página 6
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Famílias reclamam de abandono em cemitérios perto do Dia de Finados
Falta de segurança e mato alto são as principais reclamações de quem tem familiares enterrados em jazigos públicos
Os cemitérios públicos de Campo Grande estão abandonados, é o que dizem os familiares dos que estão enterrados em jazigos administrados pelo município. A falta de segurança e o mato alto são as principais reclamações nos três cemitérios da Capital, o Santo Antônio, o Santo Amaro e o São Sebastião, mais conhecido como Cruzeiro.
A reportagem esteve na tarde de sexta-feira nos três cemitérios da Capital e o que foi possível perceber é que, apesar de uma “maquiada” com a pintura geral e a recomposição de muros, alguns locais ainda estavam com mato alto. Além disso, várias famílias relataram que tiveram itens roubados.
A aposentada Elizabete Siqueira, de 56 anos, que tem familiares enterrados no Cemitério Santo Amaro, contou que há 26 anos vai com frequência ao local e que este é o ano em que encontrou mais sujeira e insegurança.
“Como sempre, o cemitério está abandonado, lá na parte infantil, toda vez que a gente vem tem que capinar. É triste ver esse desleixo do poder público”, afirmou.
“Esse ano está tão desleixado, que nem isso [maquiagem] fizeram, porque geralmente em outubro já começavam a dar aquela organizada, limpada, agora não, porque segunda já é [Dia de] Finados e não foi feito nada, não foi limpo. Na entrada ainda está bonito, mas lá no fundo, onde estão [enterradas] a minha sogra e a minha filha está puro mato. A gente trouxe até enxada. Eu venho há 26 anos, e esse é o pior ano, porque geralmente nessa data estava melhor, agora nem isso”, completou a aposentada, que afirmou ter vários familiares enterrados no local.
O abandono também é uma reclamação no Cemitério Santo Antônio. A professora Ynaê Silveira, de 25 anos, afirmou que todo ano tem o hábito de visitar o túmulo de sua mãe, que está enterrada no local, principalmente nessas datas. Porém, neste ano não gostou do que encontrou.
“Tudo muito desleixado, muita sujeira e coisas quebradas. Acredito que a cidade como um todo está abandonada, o cemitério é só mais um lugar”, declarou.
No Cruzeiro, além da sujeira, as pessoas afirmaram que a insegurança aumentou. A aposentada Floripes Fernandes Evangelista, de 69 anos, tem cinco familiares enterrados no local e contou que uma das capelas da família foi depredada.
“A época de Finados é a que requer mais cuidado, porque vem gente de fora, vem gente de longe. Nós limpamos [o túmu lo] de cinco. Eles [prefeitura] estão deixando a desejar, inclusive a nossa [capela] foi arrancada a porta, os vidros, levaram todas as coisas que tinham dentro, e eles não têm segurança, não sei se é falta de funcionário, ou do funcionalismo [público]”, reclamou.
A insegurança também foi apontada pela trabalhadora Tatiane Vargas, de 41 anos, que atua no Cemitério Santo Amaro com a limpeza de túmulos e capelas. Lá, ela contou que um dos serviços chegou de última hora porque uma família se deparou com a capela toda destruída.
“O cemitério está abandonado, sem segurança e quebraram a capela. Eles cimentos, entrevistar trabalhadores, requisitar informações e verificar se eventuais desligamentos ocorreram por motivação política.
“O auditor fiscal vai ao estabelecimento, entrevista os empregados, pergunta se o funcionário foi demitido e qual foi o fundamento dessa demissão”, explicou Cantero, ao detalhar como os profissionais investigam possíveis desligamentos motivados pela preferência política dos trabalhadores.
O superintendente explicou que a legislação brasileira proíbe a utilização das convicções políticas como critério de contratação, manutenção ou dispensa de trabalhadores.
“A fiscalização pode lavrar o auto de infração, garantindo o contraditório. Sendo comprovada a conduta discriminatória, pode impor multa administrativa que equivale a 10 vezes o maior salário do funcionário da empresa, com acréscimo de 50% em caso de reincidência”, explicou.
Outra consequência prevista na legislação é a proibição de obter empréstimos ou financiamentos em instituições financeiras oficiais.
[familiares] mesmo que vinham limpar, mas chegaram hoje e se deparavam com isso, quebraram as portas. E não é a primeira capela que eu cuido que está assim”, contou.
PROGRAMAÇÃO Conforme a programação organizada pela Gerência de Cemitérios Públicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), os três principais cemitérios de Campo Grande terão ações especiais desde cedo.
A abertura dos portões está prevista para acontecer às 7h e a programação seguirá até o fim da tarde, com atividades religiosas para católicos e evangéli
Assédio eleitoral pode render multa de 10 vezes o salário da vítima
O número de denúncias de assédio eleitoral em Mato Grosso do Sul chegou a 68 até as 13h de sexta-feira, após uma onda de ameaças de demissão, manifestações discriminatórias e incentivos à perseguição de trabalhadores por suas escolhas políticas. Entre as penalidades de casos confirmados estão a perda de incentivos fiscais e multas, que podem chegar a 10 vezes o maior salário do funcionário da empresa.
Os registros foram contabilizados pelo Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) desde o fim do primeiro turno, entre eles 25 foram depois do segundo turno.
As informações foram apresentadas pela procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Arosio, e pelo superintendente regional do Trabalho e Emprego, Alexandre Morais Cantero.
Segundo Cândice, a quantidade de denúncias surpreendeu o órgão, que esperava uma redução dos conflitos relacionados às preferências políticas dos trabalhadores após o encerramento da disputa eleitoral.
“A gente enquadra isso como motivo discriminatório e é justamente a discriminação que é o ato ilícito”, explicou Cândice, ao destacar que a preferência política não pode ser utilizada como justificativa para ameaçar ou dispensar trabalhadores.
A procuradora explicou que a liberdade de manifestação política é assegurada pela Constituição Federal, mas não autoriza a adoção de medidas discriminatórias nas relações de trabalho.
“Todo mundo pode falar o que pensa, desde que se respeite o outro”, afirmou Cândice.
Ela destacou que as denúncias envolvem situações dis tintas, desde declarações públicas incentivando dispensas até casos que exigem investigação sobre possíveis demissões efetivamente motivadas pela preferência política dos empregados.
A procuradora explicou que o número de denúncias não corresponde necessariamente à mesma quantidade de ocorrências distintas. Em Maracaju, por exemplo, uma única situação chegou ao conhecimento do órgão por meio de oito denúncias apresentadas por pessoas diferentes.
PENALIDADES Além das investigações conduzidas pelo MPT-MS, as empresas denunciadas poderão passar por fiscalizações realizadas por auditores-fiscais vinculados ao Ministério do Trabalho e Emprego.
Segundo Alexandre Morais Cantero, os profissionais têm competência para comparecer aos estabele
Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.191 do Correio do Estado. Acervo de edições