Correio do Estado

Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Edição nº 23.196

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Presidente paraguaio anuncia renúncia e senadores rejeitam

INTERNACIONAL Presidente paraguaio anuncia renúncia e senadores rejeitam ESTADÃO CONTEÚDO A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou ontem, por unanimidade, a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, Santiago Peña. Na mesma sessão, os parlamentares aprovaram, por 48 votos a 30, um pedido de abertura de processo de impeachment contra o vice-presidente, Pedro Alliana. Peña anunciou sua renúncia ao cargo em um vídeo publicado nas redes sociais, no início da tarde de ontem, enquanto os deputados estavam reunidos para analisar os dois pedidos de impeachment. “Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, disse Peña.

“Também quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei. Nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, acrescentou. Apesar do anúncio, parlamentares da oposição já sinalizaram que não devem aceitar a renúncia de Peña. “Não aceitamos a renúncia de Santiago Peña. É preciso realizar o processo de impeachment contra ele e o vice-presidente Alliana”, afirmou a senadora Esperanza Martínez, do Partido da Participação Cidadã, em uma publicação nas redes sociais. “Rejeitamos a concessão de foro privilegiado a SanAo optar por deixar o cargo, Santiago Peña poderá ter acesso à imunidade parlamentar, justamente o que opositores querem evitar com a saída dele Presidente do Paraguai, Santiago Peña anunciou a renúncia em vídeo nas redes sociais ontem à tarde REPRODUÇÃO tiago Peña.

Que todos os responsáveis e seus cúmplices sejam punidos. O Paraguai precisa de justiça. Não aos pactos de impunidade”, acrescentou. A declaração de Esperanza está relacionada à legislação paraguaia, que prevê que ex-presidentes eleitos democraticamente se tornem senadores vitalícios, exceto aqueles que tenham sido submetidos a julgamento político e declarados culpados. Se renunciar sem ser condenado em um processo de impeachment, Peña poderá assumir essa condição e ter acesso às imunidades parlamentares. O senador Rafael Filizzola, do Partido Democrático Progressista, disse que a renúncia de Peña “chega tarde demais”. “O estrago já está feito. Ele fraudou milhões de paraguaios e saqueou o dinheiro do povo.

Ele precisa ser destituído e processado criminalmente”, escreveu Filizzola em uma publicação nas redes sociais. Para ser efetivada, a renúncia de Peña precisa ser aceita pelas duas Casas do Congresso. Se aprovada, Alliana assumirá o comando do Paraguai até o fim do mandato, em 2028. A crise política e financeira que atinge o país sul-americano começou na terça-feira, após o Banco Central do Paraguai (BCP) decidir intervir no Ueno Bank por insuficiência de capital. Antes do processo, Peña teve ligações com o Ueno. Em abril do ano passado, o presidente admitiu que tinha investimentos na Ueno Holding, empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, Peña afirmou que investiu na empresa em 2019, mas que, em março de 2025, o principal acionista “decidiu dissolver a empresa” em um processo de fusão do qual ele decidiu “não participar”.

“Ele me pagou pelas minhas ações e pela minha liPRESIDÊNCIA DO SENADO Alcolumbre reúne senadoras e Tereza articula candidatura O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), convidou as senadoras em exercício e as eleitas em outubro para um café da manhã na residência oficial, na terça-feira. O encontro ocorre enquanto a senadora Tereza Cristina (PP-MS) busca apoio da bancada feminina para sucedê-lo no comando da Casa de Leis. A senadora Professora Dorinha (União Brasil-TO), líder da bancada feminina, organiza o encontro, apresentado como uma recepção às recém-eleitas. Nos bastidores, o convite é visto como uma tentativa de Alcolumbre de conquistar votos para a reeleição no grupo em que Tereza também busca apoio.

Com a posse das 12 senadoras eleitas em outubro, a bancada feminina deve chegar a 18 integrantes em fevereiro de 2027, de acordo com a projeção do Senado. As recém-eleitas já poderão votar na escolha da nova Mesa Diretora. Tereza afirma que sua prioridade é se tornar a primeira mulher a presidir o Senado. Aliados avaliam que esse objetivo, somado ao perfil técnico, moderado e independente que atribuem à senadora, pode ajudá-la a atrair votos de apoiadores tanto de Alcolumbre quanto de Rogério Marinho (PL-RN). Há, no Senado, quem veja Tereza com mais chances de vencer Alcolumbre do que Marinho. O senador do PL oficializou a candidatura na quarta-feira e afirmou já contar com 40 votos. Na ocasião, disse esperar um entendimento com a senadora de Mato Grosso do Sul “no momento oportuno”.

Marinho chamou Tereza de parceira e afirmou que os dois defendem as mesmas bandeiras. “E, juntos, faremos o possível para derrotar o atual presidente, senador Davi Alcolumbre”, disse. O PL deve ter a maior bancada da próxima legislatura, com 29 das 81 cadeiras. Mesmo com o apoio de todos os senadores do partido, Marinho precisaria de pelo menos 11 votos de outras legendas para alcançar o total que anunciou. A eleição para a presidência do Senado é secreta. Interlocutores dos dois senadores afirmam que ambos devem manter as candidaturas e reavaliar o cenário a partir da segunda quinzena de janeiro. Pelo acordo relatado por essas fontes, seguirá na disputa quem tiver mais chances de vencer Alcolumbre.

Uma vitória de Tereza Cristina em fevereiro levaria Mato Grosso do Sul de volta à presidência do Senado após 24 anos. Ramez Tebet foi o último senador do Estado a comandar a Casa, de 2001 a 2003. Antes dele, José Fragelli ocupou o cargo entre 1985 e 1987. (EC) gação com essa empresa, que não tem nada a ver com a Itti ou com o banco [Ueno], e eu deixei de ter qualquer ligação com a Ueno Holding”, disse. Em 28 de março de 1999, Raúl Cubas Grau renunciou à Presidência do Paraguai na véspera da votação de seu impeachment no Senado. Dias antes, o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña havia desencadeado protestos em Assunção, no episódio conhecido como Março Paraguaio. A Câmara dos Deputados acusou Cubas de descumprir uma ordem da Suprema Corte para que o general Lino Oviedo voltasse à prisão.

Aliado do presidente, Oviedo cumpria pena de 10 anos por uma tentativa de golpe em 1996. Cubas libertou o militar por decreto em agosto de 1998, logo após assumir o cargo. Com a Vice-Presidência vaga, o então presidente do Senado Luis Ángel González Macchi assumiu o governo. Cubas recebeu asilo político no Brasil. Saiba 4 POLÍTICA CORREIO DO ESTADO SEXTA-FEIRA, 6 DE NOVEMBRO DE 2026 CLÁUDIO HUMBERTO Sabotagem A insatisfação não é com o comando do partido, como Valdemar Costa Neto, mas com alas bolsonaristas que não digerem a ex-primeira-dama. Asas podadas Michelle é conhecida no partido por exercer com pulso firme o prestígio e a força política que tem, mas há queixas de que agora falta espaço.

Potência nas urnas A senadora consegue acumular votos do eleitor conservador, feminino e evangélico. No DF, teve mais votos do que qualquer outro candidato. É de casa O perfil discreto e alinhado à “família tradicional” agrada ao Republicanos, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. Disputas regionais ameaçam federação PDT-PSB Com um pé e meio na extinção, o PDT tenta se federar – ou ser incorporado – pelo PSB para não desaparecer de vez. Pedetistas contaram à coluna que adversários regionais estão sendo obrigados a dividir a mesma legenda em razão da “salvação emergencial”, como já chamam no partido de Carlos Lupi. O desarranjo de maior destaque está no Ceará, onde André Figueiredo (PDT) e Cid Gomes (PSB) podem ter de voltar a se cruzar nos corredores da federação, caso ocorra.

Lula, o pivô O pau quebrou entre Gomes e Figueiredo em 2023. Cid costurando apoio do partido a Lula (PT), mas André, com apoio de Ciro Gomes, contrário. Sobra nada Medalhões pedetistas ameaçam pular fora do partido, que já não tem muito a oferecer. O raquítico PDT só elegeu seis deputados federais. E só Anêmico, o PDT ainda tem uma senadora, a solitária Marília Arraes (PE). Governador, o partido não vê um desde 2018, com Waldez Góes (AP). Ingratidão Caciques do PL no Congresso estão chateados com a pretensão de Tereza Cristina (PP-MS) de disputar a presidência do Senado. Acham que está sendo ingrata com Jair Bolsonaro, que apoia Rogério Marinho (PL-RN). Qual explicação? A senadora Tereza Cristina serviu como ministra da Agricultura de Bolsonaro, caminho pelo qual conseguiu o mandato.

Agora quer ir contra a vontade do ex-chefe na disputa pela presidência do Senado. Pauta definida Será na próxima semana, em Brasília, a reunião do PSB para definir os rumos do partido sobre a tal federação com o PDT. O encontro, na sede do partido, foi agendado por João Campos, presidente dos socialistas. Jogatina Deltan Dallagnol acusou Lula de favorecer bets ao prever alíquota de 0,5% para apostas, contra 8% para vinhos, 4,2% para cervejas e 2,6% para refrigerantes. “Lula ama o ‘tigrinho’”, ironizou. Fatura chegou Carol De Toni (PL-SC) acusa Lula de prometer mais benefícios na campanha e empurrar a conta ao contribuinte. “Estelionato eleitoral?”, questionou, ao criticar a chance de novos impostos que se avizinha.

Pinóquio “Lula mentiu!”, lembra o senador Rogério Marinho, ao resgatar leviana defesa que o petista fez da redução da maioridade penal. No Senado, a gestão de Lula atuou para barrar a votação. Bico seco O deputado Delegado Zucco (PL-RS) criticou o imposto de 4,2% previsto para cervejas. “Primeiro, a picanha prometida virou abóbora”, ironizou, ao lembrar a promessa de Lula de churrasco com cervejinha. Maré rápida Há apenas dois anos, em 6 de novembro de 2024, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, era eleito para um segundo mandato e o Partido Republicano recuperava a maioria no Senado americano. Pensando bem... preocupa casamento em crise antes mesmo do casório. COM RODRIGO VILELA E TIAGO VASCONCELOS O dono da grana Nos anos 1950, uma CPI investigava a ligação entre o governo de Getúlio Vargas e o jornal Última Hora, de Samuel Wainer.

O conde Francisco Matarazzo era interrogado pelo deputado Carlos Lacerda, ferrenho opositor de Getúlio: “Sr. Matarazzo, o senhor deu dinheiro ao Samuel Wainer?”, perguntou. “Dei, sim”, respondeu o rico empresário, sem pestanejar. “E por quê?”, inquiriu Lacerda, desafiador. “Ué! Dei porque o dinheiro é meu e faço dele o que bem quiser”. E encerrou a discussão. PODER SEM PUDOR Republicanos tenta atrair Michelle Bolsonaro O Republicanos começou a rondar a senadora eleita Michelle Bolsonaro (DF), atualmente filiada ao PL, de seu marido Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama está às turras com os liberais há algum tempo, com ápice do aborrecimento quando desistiu da presidência do PL Mulher, que ela estruturou.

No partido dirigido por Marcos Pereira, o sonho é a chapa puro-sangue Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, bem-avaliado e reeleito no primeiro turno como governador de São Paulo. Lula ama o ‘tigrinho’” Deltan Dallagnol (Novo-PR), senador eleito, sobre irrisória alíquota para apostas claudiohumberto.com.br @colunach

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Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.196 do Correio do Estado. Acervo de edições