Correio do Estado

Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Edição nº 23.196

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Guerra entre PCC e Comando Vermelho chega à Máxima e um preso é morto

Jackson da Rosa Fernandes morreu no mês passado no presídio e a suspeita é de que o crime seja resultado do conflito

A morte de um detento do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, mais conhecido como a Máxima de Campo Grande, no mês passado, pode estar ligada à guerra entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que já fez mais de 100 mortos este ano em Mato Grosso do Sul.

Jackson da Rosa Fernandes, de 22 anos, foi morto no dia 23 de outubro deste ano, enforcado no pátio do presídio da Capital. Segundo informações repassadas ao Correio do Estado, os detentos teriam descoberto que ele fazia parte do CV e levado para a Máxima a guerra que acontece desde o ano passado entre as facções.

Isso porque a Máxima tem, em sua maioria, detentos do PCC e, em momentos de tensão entre as facções, as forças de segurança procuram evitar que dissidentes estejam no mesmo presídio.

O jovem foi condenado em julho de 2024 por furto pela 2ª Vara Criminal de Jardim.

Procurada, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) confirmou que a morte de Jackson ocorreu pelas mãos de outro detento, no entanto, não confirmou o fato de ele ser ou não faccionado, já que a motivação do crime ainda é investigada.

Uma segunda morte, ocorrida dias depois, no dia 27 de outubro, também na Máxima, está sob investigação. Odilon Vítor dos Santos Neto morreu após, supostamente, passar mal em sua cela.

De acordo com informações oficiais, os presos acionaram a segurança do presídio, que verificou que o detento já estava no solo da cela sem sinais vitais. O Corpo de Bombeiros e a perícia foram acionados e verificaram que, em um primeiro momento, ele não apresentava marcas ou lesões aparentes, no entanto, ain da não foi emitido o laudo comprovando as causas da morte, por isso, o caso ainda está sob suspeita.

GUERRA Matéria do Correio do Estado de setembro deste ano já apontava que a guerra entre as facções criminosas por território em Mato Grosso do Sul havia atingido o ápice de mortes neste ano, segundo o promotor de Justiça Felipe Almeida Mar ques, coordenador da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (Uicc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A estimativa é de que mais de 100 pessoas foram mortas por causa desse conflito no Estado.

Desde o ano passado, as duas principais facções criminosas do País estão em guerra pelo comando de novas rotas para escoar as drogas que entram no Brasil por meio das fronteiras com o Paraguai e a Bolívia.

Em razão da localização estratégica, Mato Grosso do Sul, que faz fronteira seca com esses dois países, entrou no foco das duas facções como ponto importante das ambições de ampliação e domínio de território. Foi a partir daí que as mortes começaram.

O Estado é uma das unidades da Federação com mais membros do PCC fora de São Paulo, o que faz dele um estado com predomínio da facção. E é este cenário que o CV busca mudar.

Com atuação muito mais forte no norte do Estado, na divisa com Mato Grosso, estado de domínio da facção carioca, o CV quer dominar as rotas que hoje são do PCC em MS. Essa situação começou em maio do ano passado, quando ambas as facções decidiram encerrar um acordo de paz que havia entre os seus líderes.

Por causa desse conflito, apenas de janeiro a setembro deste ano, ocorreram

405 homicídios no Estado, um aumento de 22% em relação a 2025.

Dados levantados pelo Correio do Estado no site da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostraram que este foi o primeiro ano em que o Estado ultrapassou a marca de 400 execuções em nove meses desde 2018.

Reportagem publicada no fim de setembro mostrou que em 2025, por exemplo, foram registradas 332 mortes de janeiro até o nono mês do ano.

Esse aumento estaria diretamente ligado à guerra entre as duas facções criminosas do País.

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Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.196 do Correio do Estado. Acervo de edições