Correio do Estado

Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Edição nº 23.196

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Correio do Estado, Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 — página 6

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Gaeco aponta novo grupo de elite da polícia envolvido com o tráfico de drogas

Nova etapa de apuração identifica cooptação de homens de unidades operacionais para facilitar o escoamento de cocaína

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), voltou às ruas para uma segunda fase da Operação Infiltrados depois de novos desdobramentos da investigação apontar diversos policiais ligados à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) envolvidos no esquema de desvio de drogas apreendidas. Essa é a segunda delegacia especializada, considerada de elite, a ter homens envolvidos com traficantes.

Conforme nota oficial divulgada pelo órgão, a Operação Infiltrados II cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão nos municípios de Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR). Ao todo, nove policiais que, de junho de 2025 a maio deste ano, estavam lotados na Defron foram alvo de medidas cautelares ontem.

“O modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja pela subtração de entorpecentes diretamente na diligência policial ou posteriormente do depósito da delegacia, como ainda quando era transportada para incineração, sendo entregue então para traficantes que ficavam responsáveis por reintroduzir o estupefaciente no mercado ilícito”, explica o MPMS.

Quanto à operação, o Ministério Público diz que, em uma das ações investigadas, ocorrida em setembro de 2025, foram desviados mais de 500 quilos de cocaína, que seriam levados à incineração, caminho natural das drogas apreendidas.

“Os policiais que integram a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para, em completa subversão de seus deveres funcionais, atuarem como verdadeiros fornecedores para o tráfico”, reforça.

À imprensa, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que os fatos investigados pelo Gaeco foram alvo de processos internos na instituição há quatro meses, por meio da Correge doria-Geral, com Inquérito Policial e Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).

“Desde o início das apurações, foram adotadas medidas administrativas e correcionais, incluindo adequações de procedimentos operacionais, remoções de servidores e realização de correição extraordinária na unidade policial, com o objetivo de identificar eventuais irregularidades, apurar responsabilidades e fortalecer os mecanismos de controle interno”, afirmou.

Por fim, a Polícia Civil disse achar “inadmissível qualquer utilização da função pública, da estrutura policial ou dos instrumentos destinados ao combate à criminalidade para a prática de ilícitos”. E acrescentou que as diligências internas terão continuidade, com a adoção de todas as medidas administrati vas e disciplinares cabíveis.

INVESTIGADOS Um dos investigados é o delegado Guilherme Scucuglia Cezar, que comandou a Defron durante o período citado pelo órgão. No dia 27 de maio deste ano, ele deixou o comando do departamento especializado e foi designado para a Delegacia Regional de Polícia Civil de Nova Andradina, onde ficou lotado até o dia 10 de setembro. Quatro dias depois, foi anunciado como delegado-adjunto na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf).

De acordo com o portal de transparência do Estado, o delegado recebeu quase R$ 500 mil durante seu tempo à frente na Defron, média de R$ 34,9 mil por mês – incluindo 13º recebido no fim do ano passado. No último salário enquanto de mãos, seus filhos e outros parentes, segundo a PF e a Receita. Segundo os órgãos de segurança, as quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático indicaram que o grupo movimentou um valor superior a R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos de apuração.

A organização criminosa tinha como principal atividade o tráfico internacional de drogas e de armas de fogo, caracterizada pelo emprego de violência, elevado poder econômico e ampla capacidade logística.

Os recursos teriam circulado por intermédio de contas vinculadas aos investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados utilizados para ocultar a origem e a destinação dos valores.

As análises fiscais conduzidas pela Receita identificaram indícios de lavagem de dinheiro envolvendo “laranjas”, ocultação patrimonial e dissimulação de fluxos financeiros, resultados corroborados por monitoramentos, interceptações e outras medidas investigativas.

legado, em setembro, Guilherme recebeu mais de R$ 60 mil.

Os outros policiais investigados na operação são: Rogério da Rocha Ferreira, Rodrigo Carpes da Silva, Anderson Mirandola, Cassiano Rodrigues Teixeira, Eumer Cordeiro Barbosa, Oseias Medeiros da Silva, Gustavo dos Santos Sayão e João Marcos Garcia.

Apuração do Correio do Estado identificou que Rogério saiu da Defron em novembro de 2025, transferido para uma Delegacia de Caarapó. João Marcos Garcia deixou o departamento especializado no dia 22 de abril deste ano, com destino à Delegacia de Atendimento à Mulher de Dourados. Quanto a Oseias, não foi encontrado com precisão quando ele deixou a Defron, mas publicações do Diário Oficial do Estado indicam que ele está em Dourados.

O restante saiu da Defron no mesmo dia do delegado Guilherme Scucuglia, sendo repassados para delegacias no interior do Estado.

A defesa do delegado confirmou que ele foi al vo de um mandado de busca e apreensão, porém, dará mais esclarecimentos sobre o fato em uma coletiva de imprensa hoje.

1ª FASE No dia 24 de setembro, a Justiça expediu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Entre os investigados estavam policiais civis, policiais militares e um policial penal.

A investigação apontou que a cocaína seria o principal entorpecente desviado pelo grupo. Uma das suspeitas é de que a quantidade de droga encontrada em determinadas ocorrências fosse superior à registrada oficialmente. Dessa forma, parte do entorpecente ficaria fora dos documentos de apreensão e poderia ser desviada.

Outra linha investigada envolve a retirada de drogas que já estavam formalmente apreendidas e armazenadas em depósitos de delegacias. De acordo com o MPMS, os entorpecentes desviados seriam posteriormente entregues a traficantes ligados ao grupo.

A ação resultou na prisão do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que foi do Grupo Armado de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).

Corregedoria afasta policial preso em operação contra tráfico internacional

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) afastou compulsoriamente o investigador Andrey Elesbão Silva de suas funções. O policial, que foi preso na quarta-feira, durante a Operação Ifrit, estava lotado no Grupo de Operações e Investigações (GOI).

O prazo do afastamento perdura enquanto Andrey estiver preso. A medida foi assinada pelo corregedor-geral da PCMS, Clever José Fante Esteves. O policial foi detido após a 3ª Vara Federal de Campo Grande, com Juizado Especial Federal Criminal Adjunto – TRF 3, determinar a prisão preventiva do investigador.

Andrey Elesbão Silva é um dos três policiais civis afastados, investigados por participar de uma complexa organização criminosa que traficava armas e drogas com des tino à Europa, especialmente Portugal e Espanha. Além dele, o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e o investigador Douglas Tobias também foram alvo da operação.

Deflagrada, na manhã de quarta-feira, pela Polícia Federal (PF) e a Receita Federal, a operação ocorreu em sete estados.

Após a Justiça Federal de Campo Grande autorizar as medidas judiciais, os agentes foram às ruas para cumprir 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária, além de três medidas de monitoração eletrônica.

A investigação apura um esquema de tráfico internacional de drogas e armas e corrupção policial que, segundo a PF, movimentou mais de R$ 500 milhões em dois anos.

Estavam sob investigação: Adel Hassan Haidar; Adu le Vasques Haidar; Andrey Elesbão Silva; Bassam Hassan Haidar Ahmed; Brendo Benega Pereira; Bruno Banega; Bruno Leonardo Bergamasco; Daniel Ecleverson da Silva Barbosa; Daniel Jonatas Ferreira; Douglas Tobias; Eduardo Greco; Fahd Haidar; Hector Salinas Esquivel; Hoffman D’Ávila Candido e Sousa; Ireneo Ramom Acosta; João Fernando Andrade de Carvalho; Jorge Adalid Granier Ruiz; José Miguel Vela Caprioli Junior; Mamede Alhaj Haidar; Maroan Fernandes Haidar Ahmed; Nasser Haidar; Pedro Henrique Flores Camargo; Rafael Rodas Neto; Renan Braiana Garcia Presotto; Salazar José Batista; Valdeson Pereira dos Santos; Valter Ulisses Martins Silva; Victor Hugo Santos Queiroz; Vitor da Silva.

GRUPO A organização criminosa era liderada pelo clã da família Haidar, composta por três ir

Rede Estadual amplia vagas em 10% para 2027 em MS

A Rede Estadual de Ensino de (REE) terá 220 mil vagas para o ano letivo de 2027, um aumento de 10% em relação às 200 mil disponibilizadas neste ano. O período de pré-matrículas começa na segunda-feira e segue até o dia 6 de janeiro, atendendo tanto novos estudantes quanto aqueles que já estão na REE e pretendem mudar de escola.

As vagas abrangem unidades escolares dos 79 municípios do Estado e incluem novos ingressos e a renovação de matrículas dos alunos que já estudam na REE. Portanto, o total anunciado não representa exclusivamente vagas abertas para novos estudantes.

O cadastro deve ser feito pela internet, no site matriculadigital.ms.gov.br. Na página, os pais ou responsáveis devem acessar a opção Acesso Rápido, selecionar o tipo de ingresso e seguir as etapas indicadas para preencher os dados.

A distribuição das vagas por etapa de ensino será apresentada na segunda-feira, durante coletiva do governador Eduardo Riedel e do secretário estadual de Educação, Hélio Daher. O encontro está marcado para as 8h, no auditório da Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov).

Para os estudantes que já fazem parte da REE e desejam continuar na mesma unidade, o prazo de confirmação de permanência começou no dia 3 e termina no dia 18 de dezembro. O procedimento também pode ser realizado pela Matrícula Digital.

Em caso de dúvidas ou dificuldades durante o preenchimento, os responsáveis podem entrar em contato pelos telefones 0800-647-0028 para telefone fixo, e 3314-1212 para celular.

Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.196 do Correio do Estado. Acervo de edições