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Hora certa para tocar nos intocáveis
O corte de gastos nos Poderes, por significarem peso só aos cofres estaduais, normalmente são solenemente esquecidos
A buraqueira que tomou conta de rodovias estaduais na região do Vale do Ivinhema nos últimos meses, a constante busca por empréstimos federais e internacionais para bancar novas rodovias e reformar algumas das antigas são sinais claros de que a situação financeira da administração estadual é bem mais crítica do que normalmente aparenta ser. Mas o resultado das urnas no dia 4 de outubro, quando o governador foi reeleito com porcentual recorde de votos (67,39%), revela que a crise está longe dos radares da opinião pública.
Mas antecipar para este ano parte da receita que deveria pagar as contas do próximo ano, como é o caso do IPVA, é indício de que a situação parece ser mais grave do que até os mais pessimistas estimavam. E, quando crises aparecem, é natural e normal que qualquer tipo de administração faça ajustes e correções de rumo. Rever impostos e isenções fiscais estão entre as alternativas. Outra forma de melhorar a saúde financeira é a revisão dos gastos.
Em nível federal, corte de gastos normalmente remete à contenção de desembolsos com aposentadorias, programas sociais e até com Saúde e Educação. Os gastos de Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública, por significarem peso significativo somente nos cofres estaduais, normalmente são solenemente esquecidos.
Para 2027, por exemplo, o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de Mato Grosso do Sul prevê receitas de R$ 27,99 bilhões, valor que supera em 2,95% os números relativos a este ano. O crescimento é inferior ao do índice inflacionário. Deste montante, nada menos de R$ 3,77 bilhões, ou 13,5%, estão previstos para os Poderes. Na comparação com o ano passado, a previsão é de aumento da ordem de 4,2%, porcentual superior ao do crescimento da LOA.
Em 2025, ocorreu fenômeno parecido: a LOA previu alta de 2,9%, mas o repasse aos Poderes teve alta de 7,9%. Essa previsão de aumento ocorreu mesmo depois de a administração estadual ter ligado a luz amarela e ter baixado decreto determinando corte generalizado de gastos, já que a receita estava patinando.
Em torno de 90% daquilo que é repassado a título de duodécimo é destinado ao pagamento de salários. É natural que a iniciativa para um possível corte de gastos jamais venha dos beneficiados, por isso, há muito deveria ter partido dos chefes dos Executivos estaduais, que jamais quiseram enfrentar a elite do funcionalismo.
Em março deste ano, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) impôs um freio na gastança com supersalários. Em tese, somente no salário de juízes e promotores de MS isso significa economia de quase meio bilhão de reais por ano. Mas, se não houver revisão dos valores a serem repassados, todos sabem que este dinheiro acabará sendo gasto de outras formas, já que “pertence” aos Poderes. E meio bilhão de reais é o equivalente a praticamente tudo o que os cofres estaduais recebem a título de IPVA, já que metade desta receita cabe às prefeituras.
“Servir o povo de nossa terra, informando-o, indagando dos seus problemas, empenhando-se na sua solução, batendo-se por seus direitos e verdadeiros interesses”
A parceria entre Japão e Mato Grosso do Sul
É com grande satisfação que escrevo este artigo por ocasião de minha visita a Campo Grande. Durante meu período como cônsul-geral do Japão em São Paulo, entre 2017 e 2020, tive o privilégio de visitar esta bela cidade por diversas vezes. Em cada visita, fiquei impressionado com a expressiva presença da comunidade japonesa, especialmente de origem okinawawa.
Fiquei muito feliz ao saber que o sobá, prato muito apreciado pela comunidade de Okinawa do Japão, é, hoje, uma das especialidades mais populares de Campo Grande. A declaração do sobá como patrimônio cultural imaterial pelo município de Campo Grande simboliza o quanto a cultura japonesa, a começar pela sua culinária, foi acolhida e incorporada à vida dos campo-grandenses. Gostaria de expressar meu profundo respeito e agradecimento aos imigrantes japoneses e seus descendentes, cujos esforços contribuíram significativamente para difundir a cultura japonesa e fortalecer os laços de amizade entre nossos povos.
Nesta visita a Campo Grande, tenho também a grande satisfação de participar do Festival do Japão de Mato Grosso do Sul, uma importante celebração da cultura japonesa e da amizade entre o Japão e o Brasil. Nesta edição, será também realizada uma iniciativa de capacitação e networking para mulheres empreendedoras, com o apoio do governo japonês.
Um dos marcos mais significativos dessa amizade são as visitas de membros da Família Imperial do Japão a Mato Grosso do Sul. Em 2015, por ocasião das comemorações dos 120 anos das relações diplomáticas, suas altezas imperiais o príncipe e a princesa Akishino visitaram o Brasil, incluindo o Pantanal.
Em 2025, ano em que celebramos os 130 anos dessas relações, sua alteza imperial a princesa Kako visitou o Brasil, inclusive Campo Grande. Estamos profundamente gratos pela calorosa hospitalidade com que a população e as autoridades sul-mato-grossenses receberam os membros da família imperial.
A cooperação entre Japão e Mato Grosso do Sul também avança em áreas essenciais para o desenvolvimento sustentável. Em 2025, a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) decidiu disponibilizar financiamento de até US$ 70 milhões para um projeto de melhoria das condições hídricas no Estado. Essa iniciativa representa uma importante contribuição para a gestão dos recursos hídricos e para a promoção de um desenvolvimento mais sustentável.
Gostaria, ainda, de compartilhar al gumas perspectivas promissoras para o aprofundamento das relações econômicas. Em primeiro lugar, as negociações de um Acordo de Parceria Econômica (APE) entre o Japão e o Mercosul. Espero que esse acordo contribua para ampliar e facilitar o comércio, os investimentos e as oportunidades de cooperação entre o Japão e os países do Mercosul.
Em segundo lugar, a Rota Bioceânica. Esse corredor logístico representa uma oportunidade estratégica para o Estado. Ao facilitar o acesso à Região da Ásia-Pacífico, incluindo o Japão, a rota poderá fortalecer a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses, ampliar as oportunidades de exportação e atrair novos investimentos.
O Japão e Mato Grosso do Sul compartilham uma história de amizade construída ao longo de décadas, sustentada pelo intercâmbio cultural, pela cooperação e pelo empenho de pessoas que acreditam no potencial dessa parceria.
Estou determinado a continuar trabalhando incansavelmente, contando também com a valiosa colaboração do sr. Sérgio Longen, cônsul honorário do Japão em Campo Grande, para aprofundar estes laços e transformar as oportunidades que temos pela frente em benefícios concretos para nossos povos.
Que a amizade entre Japão e Mato Grosso do Sul se fortaleça cada vez mais e que perdure por muitas gerações!
que tudo indica, continuará fazendo sucesso por muito tempo. Por quanto tempo? Só Deus sabe. Pensando nisso e voltando nossos olhos para a conjuntura atual, é bom não nos esquecermos de que muitíssimos brasileiros dependem de algum programa social. Além disso, uma fatia significativa de lares brasileiros possui algum tipo de dívida e outros tantos estão com contas atrasadas ou inadimplentes. Em resumo: são muitos os cidadãos que se encontram em uma situação delicada.
Por isso, as palavras do senhor Luiz Inácio, ditas no ano de 2000, são muito interessantes. Dizia ele que a compra de votos, o clientelismo e demais práticas similares levavam o povo a pensar com o estômago e não com a cabeça. É por isso que se distribui tanta cesta básica, tanto tíquete de leite, porque, na verdade, tudo isso seria uma peça de troca em época de eleição que despolitiza o processo eleitoral. É, meu amigo: Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou, e ele está certíssimo no que disse.
Sob o olhar do xerife de Nottingham
Um dos traços da nossa cultura política são as práticas de mandonismo que se fazem presentes de Norte a Sul do Brasil desde longa data. Claro, cada momento histórico tem lá suas peculiaridades, cada região, suas especificidades; mas esse trem doído continua presente em nossa sociedade – com outras roupagens, é claro.
Todos conhecemos a história da formação dos redutos eleitorais cativos que são controlados por caciques políticos – redutos estes edificados com uma série de benefícios regalados aos seus eleitores que, nos termos populares, sentem-se obrigados a votar em quem o cacique indicar. Detalhe importante: o grande despreparo não vem tanto da parte dos cidadãos desvalidos, mas sim da nossa classe política e das nossas elites econômicas e intelectuais. Isso mesmo, cara-pálida. Pergunte-se: quem coagia os eleitores? Quem comprava os votos? Quem falsificava as atas eleitorais? Com certeza não era o pobre do Jeca Tatu. De mais a mais, o brocardo “em uma eleição vale tudo, menos perder” reflete muito bem a mentalidade predatória dos donos do poder nestas terras de ninguém.
Mas voltemos ao ponto do conto: a compra de votos em nosso país por bagatelas, juntamente com a troca de favores, é um traço permanente na história das eleições brazucas .Como nos lembra José Osvaldo de Meira Penna, em seu livro “O Dinossauro”, caudilhos e demagogos de todos os naipes ideológicos não se cansam de se apresentar no imaginário midiático e propagandístico como uma espécie de Robin Hood – que tira dos ricos para dar aos pobres –, quando, na verdade, na maioria das vezes, não passam de maquiavélicos xerifes de Nottingham, que tomam de todos para beneficiar a si mesmos e aos seus.
Podemos dizer que, de certa forma, a velha política do pão e circo nunca sai de cartaz. Sempre funcionou muito bem, funciona on-line que é uma beleza e, ao
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Correio do Estado, Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 — página 3
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Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.194 do Correio do Estado. Acervo de edições