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Correio do Estado, Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 — página 4
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MS vira a chave e produzirá papel a partir do próximo ano
Após atração recorde de investimento no polo florestal, Mato Grosso do Sul vai iniciar nova fase de industrialização com a fabricação local do produto
Após receber cerca de R$ 100 bilhões em investimentos na expansão da indústria de celulose, Mato Grosso do Sul se prepara para avançar mais uma etapa na cadeia produtiva da madeira. O Estado articula a instalação de uma megafábrica de papel, empreendimento que deve ser anunciado em 2027 e que poderá transformar parte da celulose produzida localmente em produtos de maior valor agregado.
A iniciativa representa uma mudança estratégica para o Vale da Celulose, que consolidou sua posição entre os principais polos mundiais de produção e exportação da matéria-prima, mas ainda depende do processamento realizado em outras regiões para atender parte do mercado de papel. A expectativa é de que a nova unidade amplie a industrialização dentro do Estado e diversifique a atividade, hoje concentrada na produção de celulose.
“Nós temos um trabalho já praticamente construído de produzir o papel aqui. Está pronto, está no forno. Eu acredito que no ano que vem ele vem para a prática. Faz parte de um alinhamento direto com as papeleiras”, afirmou ao Correio do Estado o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen.
Segundo o dirigente, as negociações envolvem empresas do setor e estão em fase avançada. A proposta é de aproveitar a estrutura industrial e a disponibilidade de matéria-prima já estabelecidas para atrair uma unidade de fabricação de papel, fechando parte da cadeia produtiva do eucalipto em território sul-mato-grossense.
A movimentação ocorre em um momento de expansão da indústria brasileira de árvores cultivadas. O setor prevê R$ 105 bilhões em investimentos até 2028, destinados a novas fábricas, modernização de unidades, manejo florestal e infraestrutura logística. Mais de R$ 70 bilhões desse montante foram anunciados para Mato Gros so do Sul, conforme levantamento divulgado anteriormente pela Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ).
O volume de recursos já transformou a estrutura produtiva estadual. Com a entrada em operação do Projeto Cerrado, da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, a capacidade instalada de produção de celulose no Estado chegou a 7,4 milhões de toneladas anuais. A expansão deve continuar com a construção da fábrica da Arauco, em Inocência, e o avanço do projeto da Bracell, em Bataguassu.
A fábrica da Arauco tem investimento de US$ 4,6 bilhões e capacidade prevista de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. A entrada em operação está prevista para o segundo semestre de 2027. Já o projeto da Bracell, em fase de licenciamento, prevê capacidade de 2,9 milhões de toneladas anuais.
A perspectiva de novos investimentos amplia a importância de agregar valor à produção. Em vez de concentrar a atividade na fabricação e na exportação da celulose, a instalação de uma indústria de papel permitiria que parte do processamento ocorresse no
Estado, com potencial de estimular fornecedores, serviços e novos postos de trabalho.
CADEIA PRODUTIVA O avanço para a fabricação de papel ocorre em paralelo ao crescimento da base florestal. Mato Grosso do Sul já reúne cerca de 2 milhões de hectares de florestas plantadas, área quase seis vezes superior à registrada em 2010, quando o Estado tinha pouco mais de 340 mil hectares.
Em entrevista publicada pelo Correio do Estado no sábado, o presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore-MS), Júnior Ramires, afirmou que a expansão das novas fábricas deve sustentar o crescimento da atividade florestal nos próximos anos.
O governo estadual trabalha com a perspectiva de alcançar 2,5 milhões de hectares de florestas plantadas. A região leste concentra o avanço, especialmente nos municípios de Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Selvíria, Brasilândia, Inocência, Bataguassu e Santa Rita do Pardo.
De acordo com Ramires, os projetos da Arauco e da Bracell devem exigir, juntos, entre 700 mil hectares e 900 mil hectares de florestas em produção, considerando áreas já existentes e novos plantios.
A demanda por madeira também deve crescer significativamente. Atualmente, o conjunto de atividades florestais do Estado, incluindo celulose, siderurgia a carvão vegetal, painéis e biomassa, consome cerca de 35 milhões de metros cúbicos de madeira por ano. Somente os dois novos projetos de celulose devem acrescentar mais de 20 milhões de metros cúbicos anuais à demanda.
“Esse crescimento abre espaço para produtores independentes e investidores, mas depende de demanda internacional firme e de infraestrutura para levar a madeira até a fábrica e a celulose até o porto”, avaliou o presidente da Reflore-MS.
A expansão da cadeia também abre oportunidades para novos mercados. As usinas de etanol de milho, por exemplo, passaram a utilizar cavacos de eucalipto como fonte de energia nas caldeiras, ampliando a procura
Copom interrompe corte de juros e mantém Selic em 13,75%
167.563,47 PONTOS R$ 6,1190 -0,65%
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ontem interrompeu o “ciclo de calibração da política monetária” e manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime.
Foi a primeira reunião do Copom após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o estresse nos mercados após o segundo turno da eleição, cresceu a aposta de que o comitê interromperia os cortes da Selic. Às vésperas do encontro, o mercado estava dividido sobre qual seria o desfecho.
O Copom avaliou que o contexto atual apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela em sua condução.
O colegiado detalhou que o contexto atual é caracterizado por “Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada”.
Foi a primeira reunião do Copom após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que gerou estresse nos mercados
O comitê afirmou que seguirá acompanhando a evolução do cenário, “para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”.
O comitê vinha conduzindo um ciclo cauteloso de afrouxamento monetário desde março deste ano e havia cortado os juros em 0,25 ponto porcentual cinco vezes, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.
Antes, o BC havia mantido a Selic em 15%, o maior nível em quase duas décadas, por 10 meses seguidos, de junho de 2025 a março deste ano.
O Copom afirmou que a decisão de manter a Selic em 13,75% ao ano é compatível com a estratégia de convergência da inflação ao redor da meta ao longo do horizonte relevante.
Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.195 do Correio do Estado. Acervo de edições