Correio do Estado

Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Edição nº 23.195

Versão em texto · Página 6 de 14

Caminhão com minério escondia 487 kg de drogas

Um caminhão carregado com minério de ferro escondia quase meia tonelada de drogas que seria transportada de Mato Grosso do Sul para o interior de São Paulo.

O carregamento foi descoberto pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na terça-feira, durante uma fiscalização na BR-262, em Três Lagoas.

A apreensão ocorreu depois que o comportamento do motorista levantou suspeitas entre os policiais. Durante a abordagem, o condutor demonstrou nervosismo ao responder às perguntas da equipe, o que motivou uma vistoria mais detalhada no veículo.

Na inspeção da carga de minério de ferro, os agentes encontraram diversos fardos de entorpecentes escondidos em meio ao material transportado.

Segundo a PRF, foram apreendidos 260,3 quilos de skunk, 145 quilos de pasta-base de cocaína, 48,3 quilos de cloridrato de cocaína e 33,5 quilos de haxixe.

O skunk é uma variedade de cannabis conheci da pela elevada concentração de substâncias psicoativas. Já a pasta-base e o cloridrato são diferentes apresentações da cocaína, enquanto o haxixe é um produto concentrado derivado da cannabis.

Após a descoberta dos entorpecentes, os policiais questionaram o motorista sobre a origem da carga e o destino da viagem.

De acordo com a PRF, o condutor confessou que havia recebido o caminhão já carregado com as drogas em Corumbá, município localizado na região de fronteira com a Bolívia.

Ainda conforme o relato, o veículo deveria seguir até o estado de São Paulo, onde seria realizada a entrega do carregamento.

A utilização de um caminhão carregado com minério de ferro chamou a atenção pela tentativa de transportar os entorpecentes em meio a uma carga comercial.

A ocorrência foi encaminhada à Polícia Federal em Três Lagoas, responsável pelos procedimentos legais e pela continuidade das investigações sobre o transporte das drogas.

Pedágio e qualidade do asfalto afastam caminhões da BR-163

Versão dos que trabalham na estrada corrobora com a queda do tráfego na rodovia de MS no último trimestre, como apontado pela Motiva Pantanal

Os caminhoneiros que passam pela BR-163 reclamam do valor do pedágio, que teve aumento de 40% em agosto, e da qualidade do asfalto, problemas que fazem muitos tentarem evitar a rodovia para chegar ao destino desejado.

Nesta semana, o Correio do Estado reportou que o tráfego na rodovia federal diminuiu em 7,8% no trimestre de julho a setembro em relação ao mesmo período do ano passado, conforme balanço da Motiva Pantanal, concessionária responsável pelo trecho. O fluxo passou de 14.822.793 veículos no terceiro trimestre de 2025 para 13.662.153 no mesmo período deste ano.

O porcentual de quase 8% na queda de movimento na rodovia é mais que o dobro do que foi registrado no segundo trimestre deste ano, quando a queda foi de 3,8% (passou de 12.855.414 veículos em 2025 para 12.368.582 neste ano).

Vale lembrar que, há três meses, o valor do pedágio sofreu um acréscimo médio de 40%, o que pode ser uma das causas para redução no movimento da rodovia. Naquele mês, as praças de pedágio tiveram aumento que variaram de 39,19% a 42,67%, com média de 40% com os arredondamentos, com o maior reajuste em São Gabriel do Oeste e o menor em Pedro Gomes.

Caminhoneiro há uma década e meia, Alessandro Souza e Silva realiza entregas em todo o Estado, e disse que tenta evitar pegar destinos que precisem passar pela BR-163 para chegar, justamente pelo trajeto “estranho” da rodovia.

“Eu procuro não vir para cá [BR-163]. Faço mais Corumbá, Dourados e Bataguassu. É muito Pare e Siga.

Você não pode marcar um horário com alguém, pois você para duas ou três vezes no Pare e Siga”, disse.

Ele complementa afirmando que não viu o aumento do pedágio refletido na qualidade do asfalto, visto que, segundo ele, as manutenções na estrada não são contínuas, intercalando durante a viagem, o que atrapalha o trajeto.

“De São Gabriel do Oeste a Rio Verde e Bandeirantes até a entrada de Campo Grande é bem perigoso. Estão mexendo, mas não é aquele serviço [de qualidade]. Se a gente for falar tudo, está louco”, concluiu.

Ricardo Maeschi, de 45 anos, é outro caminhoneiro que reclamou das condições do asfalto da BR-163. Depois de confirmar que é mais um que evita passar pela rodovia, disse que o pedágio tem que diminuir.

Flávio Nascimento, de 34 anos, foi mais específico ao falar da atual situação da rodovia federal. De acordo com ele, o principal problema da BR-163 é a infraestrutura, que não tem melhorado depois da cobrança do pedágio.

“A infraestrutura dela não está legal, ainda mais para caminhão. Eles cobram muito caro e não tem desenvolvimento na BR-163. Eles prometeram muita coisa e não estão fazendo nada. Antes vinha muita gente por aqui, quem vai para São Paulo, porque subia de Rondonópolis [MT]. Lá a estrada era ruim, mas agora arrumou e o pessoal não quer mais passar por aqui”, relatou.

Mesmo com esses relatos dos caminhoneiros, a Motiva Pantanal, na reportagem recente do Correio do Estado, negou que a queda no fluxo de veículos esteja relacionada ao aumento do pedágio, e alegou que

A gente foi feito novamente de besta. Os caminhoneiros não sabem para quem reclamar”

ainda não foi possível medir este efeito.

“A Motiva Pantanal informa que a redução de 7,8% no volume de veículos equivalentes na BR-163/MS, no terceiro trimestre, está relacionada principalmente ao aumento dos custos logísticos, especialmente fretes e combustíveis. Não há evidências de uma relação direta entre o reajuste tarifário, aplicado em agosto, e a redução do tráfego”, diz a concessionária em nota.

Aos seus investidores e ao mercado financeiro, a Motiva Pantanal informou que três pontos contribuíram para essa queda no tráfego de carros na BR-163, em Mato Grosso do Sul, porém, nenhum deles estaria relacionado ao aumento médio de 40% no pedágio.

SINDICATO Ao Correio do Estado, Os ni Belinati, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado de Mato Grosso do Sul (Sindicam-MS), colocou a culpa da situação atual da BR-163 na conta da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

“O seu caminhão não importa. A sua vida não importa, entendeu? O negócio é cobrar pedágio. O que a gente vê é uma vergonha, é uma falta de responsabilidade muito grande. A ANTT tem culpa nisso, porque eles fizeram de tudo para entregar essa ‘nhaca’ para a Motiva Pantanal. Era melhor ter deixado voltar para o Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes]”, desabafou.

O novo contrato da BR-163 foi firmado em agosto do ano passado, “com previsão de aproximadamente R$ 1 bilhão em 2026, sendo cerca de R$ 512 milhões destinados às obras de ampliação da capacidade da rodovia, como implantação de faixas adicionais e obras de duplicação e R$ 264 milhões à recuperação do pavimento, promovendo melhorias na infraestrutura, na segurança viária e nas condições de tráfego para os usuários”, segundo informou a concessionária.

Versão em texto · Página 7 de 14

Correio do Estado, Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 — página 7

Carregando o texto da página…

Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.195 do Correio do Estado. Acervo de edições

Pedágio e qualidade do asfalto afastam caminhões da BR-163 — Quinta-feira, 5 de novembro de 2026, página 6 — Correio do Estado