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Correio do Estado, Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 — página 6
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Família Haidar usou delegado para enviar droga à Europa, diz Polícia Federal
Megaoperação mirou família que atuava na fronteira com o Paraguai e que movimentou R$ 500 milhões em dois anos
Uma megaoperação feita pela Polícia Federal (PF) e a Receita Federal a partir de Mato Grosso do Sul desmantelou um esquema milionário de tráfico de cocaína para outros estados e países da Europa. Segundo a investigação, o grupo era comandado por integrantes da família Haidar, de Ponta Porã, e utilizava os “serviços” do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa.
De acordo com a PF, foram expedidos 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária e três medidas de monitoração eletrônica, além do afastamento de três policiais civis de suas funções públicas em Mato Grosso do Sul e em outros seis estados (Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia), durante a Operação Ifrit.
Segundo a PF, foram efetivamente cumpridos 16 mandados de prisão (sendo 9 em Mato Grosso do Sul, 3 em Santa Catarina, 2 em São Paulo, 1 no Paraná e 1 em Mato Grosso). Também ocorreram três prisões em flagrante: uma em Mato Grosso do Sul, uma em Santa Catarina e uma em Mato Grosso.
Entre os alvos em MS estavam Adel Hassan Haidar, Bassan Hassan Haidar, Maroan Fernandes Haidar Ahmed, Adule Vásques Haidar, Mamede Alhaj Haidar, Fahd Haidar, Renan Braian Garcia Presotto, Bruno Banega e Brendo Benega Pereira, além do delegado Hoffman D’ávila e do investigador Douglas Tobias, que já tinham sido alvo de outra operação recentemente.
Entre os locais que foram alvo de busca e apreensão em Campo Grande estavam oficinas e garagens de veículos que, segundo as in vestigações, eram utilizadas pelo grupo criminoso.
ESQUEMA Conforme a apuração, os irmãos Haidar, Adel e Bassan, seriam os líderes da organização criminosa, que ainda contava com outros integrantes no núcleo familiar em posições de chefia.
Eles atuavam em Ponta Porã, cidade que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, por onde entrava a cocaína e também as armas utilizadas e vendidas pelo grupo criminoso.
“As apurações evidenciaram a existência de uma estrutura criminosa organizada, estável e permanente, com divisão de funções entre lideranças familiares, operadores financeiros, responsáveis pela logística, transporte e segurança armada. Os elementos colhidos indicam vínculos operacionais com facções criminosas, além da colaboração de agentes públicos que teriam fornecido informações estratégicas e apoio às atividades da organização”, diz trecho da nota da Receita.
As organizações criminosas citadas seriam o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC).
“As investigações demonstraram ainda que a organização exercia influência em áreas da faixa de fronteira, utilizando armamento de elevado poder ofensivo, equipamentos de comunicação, drones, veículos blindados e estruturas destinadas ao abrigo de integrantes armados. Os elementos reunidos apontam uma organização com significativa capacidade logística e operacional, apta a movimentar grandes volumes de drogas e armas, bem como a garantir a continuidade de suas atividades ilícitas
“A fiscalização busca avaliar todas as etapas dos serviços de tapa-buraco, desde a produção da massa asfáltica até sua aplicação nas ruas”, disse o conselheiro Osmar Jeronymo.
O chefe da Divisão de Fiscalização de Obras, Serviços de Engenharia e Meio Ambiente (Dfeama), João Alfredo Carneiro, explicou que a qualidade da massa asfáltica influencia diretamente a durabilidade dos reparos.
Por esse motivo, foram coletadas amostras dos agregados, das matérias-primas e da massa pronta, que serão encaminhadas para análises laboratoriais.
Além da produção, os au em diferentes localidades do País e no exterior”, traz a nota da Receita Federal.
De Mato Grosso do Sul, por onde a droga e as armas entravam no Brasil vindas da Bolívia, do Peru e do Paraguai, elas seguiam para para outras unidades da Federação, especialmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e também para países da Europa, como Espanha e Portugual.
MOVIMENTAÇÃO A PF e a Receita Federal conseguiram identificar que o grupo criminoso movimentou, em um período de dois anos, mais de R$ 500 milhões.
“Os recursos teriam circulado por intermédio de contas vinculadas aos investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados utilizados para ocultar a origem e a destinação dos valores”, afirma a Receita.
“As análises fiscais conduzidas pela Receita Federal identificaram indícios de mecanismos de lavagem de dinheiro envolvendo interpostas pessoas, ocultação patrimonial e dissimulação de fluxos financeiros, resultados corroborados por monitoramentos, interceptações e outras medidas investigativas”, completa o órgão, em nota.
Ainda segundo a Receita Federal, a organização criminosa estava em atividade, pelo menos, desde 2018.
“O conjunto probatório formado por interceptações, análises fiscais, financeiras, patrimoniais e telemáticas, levantamentos de campo, apreensões e demais diligências autorizadas judicialmente evidencia, em tese, uma organização criminosa com elevado grau de estruturação, atuação transnacional, significativa capacidade financeira e logística, e possível en ditores também reuniram elementos para analisar a capacidade diária da usina em relação à demanda dos serviços contratados pelo Município.
O acompanhamento será estendido às vias públicas, onde serão observadas etapas como o recorte do pavimento, a aplicação da massa asfáltica e a compactação do material.
As informações coletadas durante a vistoria e os resultados das análises laboratoriais serão consolidados em relatório técnico para subsidiar a avaliação dos serviços fiscalizados.
A ação contou com a participação de auditores da Dfeama.
volvimento em delitos como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de capitais, corrupção e outros crimes correlatos praticados de forma estável e permanente, ao menos, desde 2018”.
INFILTRADOS Com todo esse poderio financeiro, o grupo conseguiu atrair o delegado Hoffman D’Ávila e outros policiais civis, que desviavam cargas de cocaína apreendidas em favor do grupo criminoso.
Entre os policiais que foram alvo ontem, inclusive, estava o investigador Douglas Tobias, que havia sido preso pela Operação Infiltrados, deflagrada no dia 24 de setembro pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que também prendeu Hoffman D’Ávila.
O advogado Luiz Renê Gonçalves, que representa a defesa do policial, comentou a operação de ontem, que ocorreu no dia seguinte à soltura de Tobias.
“Douglas Tobias, na Operação Infiltrados, obteve ontem [terça-feira] uma importante vitória com a revogação de uma prisão preventiva agora reconhecidamente injusta pela Justiça. Na Operação Ifrit, acompanhamos a busca e apreensão cumprida regularmente hoje, mas ainda não tivemos acesso aos autos da medida cautelar e do inquérito, logo, não temos condições de nos manifestar sobre o caso. De todo modo, Douglas Tobias mais uma vez demonstrou se tratar de pessoa idônea, profissional exemplar e que nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça”, declara o advogado. (Colaboraram João Pedro Flores e Naiara Camargo)
CPI O serviço de tapa-buraco em Campo Grande deverá ser alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal. Todas as assinaturas já foram colhidas e a abertura deverá ocorrer ainda neste mês.
A proposta é de investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços de tapa-buraco na capital sul-mato-grossense.
O requerimento estabelece entre o fatos determinados a ausência de ações e respostas do Executivo, a redução dos investimentos e os casos de possíveis irregularidades.
TCE-MS encontra irregularidades na usina de asfalto da Capital
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) identificou falhas na usina de asfalto do Consórcio Central-MS, durante inspeção surpresa realizada ontem, em Campo Grande. O local produz a massa asfáltica utilizada nos serviços de tapa-buraco da Capital.
Conforme o TCE-MS, a inspeção incluiu a verificação dos controles de produção e o acompanhamen to da aplicação do material nas vias públicas, com foco no cumprimento dos critérios técnicos e na qualidade dos serviços executados.
Durante a vistoria, a equipe técnica identificou falhas no controle de pesagem dos caminhões.
A usina não tem balança própria e utiliza o equipamento de uma empresa vizinha. Dessa forma, os veículos não são pesados na usina, procedimento necessário para o controle da quantidade de material transportado.
Ainda segundo o TCE-MS, o trabalho teve como objetivo verificar as condições de funcionamento da usina, a qualidade dos materiais utilizados e os procedimentos adotados na produção da massa asfáltica.
A iniciativa levou em consideração as reclamações encaminhadas pela população à Ouvidoria do Tribunal sobre as condições dos reparos realizados na Capital.
Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.195 do Correio do Estado. Acervo de edições