Correio do Estado

Sábado e domingo, 7 e 8 de novembro de 2026

Edição nº 23.197

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“Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” traz sessão especial para Campo Grande

Exibição acontece na terça-feira, com participação de Felly Zihal, um dos protagonistas do filme e líder de um projeto da Fraternidade Sem Fronteiras em Madagascar

DA REDAÇÃO Na terça-feira, acontece em Campo Grande uma sessão especial do documentário “Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados”, que apresenta a história de quatro refugiados que se uniram para transformar a realidade de uma comunidade no Malawi, na África. Essa exibição acontecerá às 19h30min, no Cinemark, que fica localizado na Avenida Afonso Pena, nº 4909, e contará com a presença de Felly Zihal, um dos protagonistas do filme e líder do projeto Ação Madagascar, da Fraternidade Sem Fronteiras (FSF).

O documentário acompanha a trajetória de Maick Mutej, Prince Kalolo, Felly B. Zihalirwa e Frank Kabamba, líderes da Nação Ubuntu, iniciativa desenvolvida no campo de refugiados de Dzaleka, no Malawi, pela organização humanitária Fraternidade Sem Fronteiras. A produção retrata os desafios enfrentados pela população refugiada e como a mobilização comunitária, fundamentada nos princípios da filosofia Ubuntu, deu origem a ações de educação, alimentação, geração de oportunidades e fortalecimento da comunidade.

Criado em 1994 para receber 10 mil pessoas, o campo de refugiados de Dzaleka abriga cerca de 58 mil habitantes, entre homens, mulheres e crianças que deixaram países como República Democrática do Congo, Ruanda, Burundi, Moçambique e Somália em razão de conflitos políticos, religiosos e étnicos.

Diante das restrições e dificuldades enfrentadas pela população, os quatro jovens encontraram na filosofia Ubuntu, sintetizada na expressão “eu sou porque nós somos”, uma forma de promover a união, a solidariedade e a transformação social.

A história ganhou força com o desenvolvimento da Nação Ubuntu, projeto da Fraternidade Sem Fronteiras que reúne iniciativas voltadas à educação, segurança alimentar, formação profissional e geração de renda. Entre as ações está a Escola Ubuntu, que oferece oportunidades de aprendizagem a crianças e jovens refugiados, contribuindo para a construção de novas perspectivas de futuro.

Com direção de Paulo Henrique Fontenelle e produção de Iafa Britz, o documentário é uma produção da Migdal Filmes, com distribuição da Downtown Filmes e apoio da Fraternidade Sem Fronteiras. A estreia nacional está prevista para 12 de novembro, e as sessões especiais de pré-estreia buscam ampliar o alcance das histórias e das vozes de quem vive em Dzaleka.

Em Campo Grande, a participação de Felly Zihal será um dos destaques da programação. Refugiado congolês, ele atuou na fundação do Projeto Nação Ubuntu da Frater

É uma definição que se conecta à própria trajetória de Felly: uma história construída por encontros, apoio, oportunidades e, posteriormente, pela escolha de também contribuir para abrir caminhos para outras pessoas. Refugiado precisou reconstruir a sua vida em outro país nidade Sem Fronteiras, no Malawi, e atualmente é o coordenador pedagógico em Madagascar, com iniciativas voltadas à educação, ao acolhimento e ao desenvolvimento das comunidades atendidas. A presença dele na sessão permitirá ao público conhecer de perto um dos personagens dessa história e sua atuação com a comunidade refugiada de Dzaleka.

FELLY ZIHALIRWA Após deixar a República Democrática do Congo e reconstruir a vida como refugiado no Malawi, ajudou a criar a Nação Ubuntu e hoje coordena as áreas de educação e recursos humanos da Fraternidade Sem Fronteiras em Madagascar

No dia 22 de janeiro de 2015, Felly Bazibuhe Zihalirwa deixou a República Democrática do Congo em busca de segurança. Aos 23 anos, iniciou uma jornada que passaria por diferentes países e seria marcada por uma das perdas mais profundas de sua vida.

Felly partiu acompanhado da mãe e de duas irmãs, mas a família acabou se separando durante a fuga. Sua mãe faleceu nesse processo. Em meio às incertezas, ele buscou segurança inicialmente em Ruanda e na Tanzânia, até chegar ao Malawi.

Em abril de 2015, encontrou refúgio no campo de Dzaleka. Ali, entre milhares de pessoas que também haviam sido obrigadas a deixar seus países, começaria a reconstruir sua trajetória.

Felly viveu no Malawi por quatro anos. Foi nesse período que sua história começou a se conectar com a mobilização que mais tarde daria origem à Nação Ubuntu.

Em 2016, ele conheceu Clarissa Paz, que se aproximou dos jovens refugiados e descobriu os sonhos e iniciativas que eles buscavam desenvolver dentro da comunidade. Dois anos depois, em 2018, conheceu Wagner e, para ele, aquele momento representou a possibilidade de transformar em ação algo que já vinha sendo construído coletivamente.

“Esse encontro tornou nosso sonho realidade”, resume. Ele começou como voluntário, trabalhando ao lado de outros refugiados para apoiar tanto quem vivia em Dzaleka quanto as comunidades locais do entorno.

Em 2018, Felly participou da criação da Nação Ubuntu, projeto da Fraternidade Sem Fronteiras no Malawi. A iniciativa nasceu do protagonismo dos líderes Ubuntu e da união em torno de um propósito comum: criar oportunidades e contribuir para a transformação da realidade vivida por refugiados e comunidades locais.

A atuação de Felly esteve especialmente ligada ao apoio e ao fortalecimento da comunidade. O trabalho desenvolvido no Malawi abriu também novas possibilidades para que ele colocasse seus conhecimentos a serviço de outras realidades.

Em 2019, em maio, iniciou um novo capítulo de sua história: deixou o Malawi para atuar em Madagascar.

Atualmente, Felly coordena os departamentos de educação e recursos humanos da FSF em Madagascar. A atuação dele envolve acompanhar o funcionamento dos programas educacionais e apoiar as equipes que tra balham diariamente com comunidades em situação de vulnerabilidade.

O refugiado que precisou reconstruir a sua vida em outro país passou, assim, a contribuir diretamente para a construção de novas oportunidades para outras pessoas.

Hoje casado e pai de dois filhos, uma menina de 7 anos e um menino de 2 anos, Felly construiu uma trajetória que atravessou fronteiras e diferentes funções, do trabalho voluntário em Dzaleka à responsabilidade de coordenar áreas fundamentais para o desenvolvimento das ações da FSF em Madagascar.

A essência do Ubuntu, segundo Felly, estrutura-se na verdadeira essência humana e se constrói na relação com o outro.

“Ubuntu significa complementaridade. Reflete a ideia de que estamos interconectados e que nossa humanidade se realiza por meio de nossos relacionamentos com os outros”, explica.

Essa compreensão também orienta a forma como enxerga o desenvolvimento individual e coletivo. “Só podemos prosperar juntos, apoiando e incentivando uns aos outros”, finaliza.

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Correio do Estado, Sábado e domingo, 7 e 8 de novembro de 2026 — página 13

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Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.197 do Correio do Estado. Acervo de edições