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Correio do Estado, Sábado e domingo, 7 e 8 de novembro de 2026 — página 6
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CPI da Câmara quer focar a gestão de Adriane e a crise do tapa-buraco
Apesar de contratos terem sido assinados em 2018, na administração de Marquinhos, vereadores miram a gestão atual
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tapa-Buraco foi aberta oficialmente pela Câmara Municipal de Campo Grande e os vereadores dizem querer focar a investigação no período em que a prefeita Adriane Lopes (PP) está à frente do Município, especialmente a partir do momento em que a crise dos buracos se intensificou.
Nesta sexta-feira, o presidente da Casa de Leis, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), e os vereadores Luiza Ribeiro (PT), Dr. Victor Rocha (PSDB), Leinha (Avante), Beto Avelar (PP) e Dr. Lívio Leite (União Brasil) assinaram o documento que determina o começo da CPI do Tapa-Buraco de forma imediata, com previsão inicial de duração de 120 dias. Segundo os parlamentares, os detalhes da investigação serão definidos na segunda-feira, quando haverá uma reunião entre eles para estruturar um plano de trabalho.
Porém, durante a coletiva de imprensa que sucedeu a assinatura do documento, o presidente do Legislativo Municipal disse que a CPI deverá focar a gestão de Adriane Lopes, portanto, de 2022 até agora. “Nós vamos ter que apontar no começo da CPI qual vai ser o tempo de investigação, desde o mandato atual ou de um mandato para trás, do prazo dos contratos, isso vai ser determinado pela CPI, mas acho que na segunda-feira a gente vai ter [mais detalhes]. A ideia é que a gente consiga analisar o mandato da prefeita Adriane e o período da crise do tapa-buraco que nós estamos vivendo”, disse Papy.
Vale lembrar que, em sua maioria, os contratos de tapa-buraco foram assinados em 2018, quando Marquinhos Trad (atualmente no PV) era prefeito de Campo Grande. Mesmo assim, o presidente da Câmara disse que, se for preciso analisar documentos e pessoas ligadas à prestação do serviço nesta época, o tempo
A Câmara encontrou elementos que colocam em suspeita a qualidade da execução desse serviço público e precisa parar para fazer uma profunda investigação”
de investigação pode ser estendido.
“Acho que falo dos demais vereadores um profundo interesse de ir para toda a extensão desta questão, porque a sociedade realmente não consegue entender como é que nós temos um serviço que funcionava de alguma forma bem em outras épocas e que de um tempo para cá é um problema grave”, complementou o presidente.
Presidente desta comissão, Luiza Ribeiro explica que a CPI foi instaurada justamente porque “suspeita-se que esse serviço não está sendo feito com obediência às normas legais e constitucionais”, o que justifica a assinatura de todos os 29 vereadores para abertura da investigação, que vai desde o processo de contratação das empresas até a execução do serviço.
“A CPI apontará o fato ile tigava o fato, aparentemente não.
“Na época em que ele foi encaminhado para a Defron, já havia uma parte da cúpula da Polícia Civil que precisava ser melhor investigada. E o delegado Guilherme foi designado para lá justamente por este evento. Então, não existe nenhuma implicação do delegado com o malfeito. Muito pelo contrário. Ele foi encaminhado para Dourados para investigar supostos desvios de conduta e o Gaeco não tinha essa informação”.
OUTRO DELEGADO Sobre o delegado Hoffman D’ávilla Cândido e Sousa, que também é representado pelo advogado José Roberto da Rosa, ele argumenta que o suposto envolvimento do policial com traficantes era por interesse em informações, ou seja, estes eram usados como informantes.
De acordo com Rosa, “um delegado, chefe da delegacia de narcóticos, acaba querendo ou não tendo que ter contato com pessoas que vivem no submundo”.
gal e quem, segundo a CPI, é o responsável pela realização desse fato ilegal. E a provável conduta, em que medida que essa conduta está prevista na lei, como uma conduta ilegal e que extensão que ela tem, se tem que devolver dinheiro do erário, se tem que responder por crime de improbidade administrativa ou outros crimes, isso tudo é determinado a partir da investigação”, destacou a vereadora à reportagem.
Quanto aos personagens que serão ouvidos durante os 120 dias, a parlamentar petista detalhou que deverão ser nomes ligados especialmente à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), como secretários, ex-secretários, diretores fiscais e diretores de finanças que estiveram na Pasta no período investigado pela CPI.
ÚLTIMOS CASOS No fim de outubro, matéria do Correio do Estado mostrou que o titular da Sisep, André de Moura Brandão, utilizou a idade do asfalto, os fortes volumes de chuva dos últimos meses e a operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), deflagrada em maio, para justificar os buracos espalhados pela Capital, em esclarecimentos aos vereadores.
Além disso, durante a sua apresentação acompanhada de slides, André Brandão divulgou números da prestação do serviço ao redor da cidade nos últimos anos. Por exemplo, de 2024 para 2025, os tapa-buracos reduziram em mais de 30%, diminuindo de 284,5 mil reparos para 173 mil, o que pode ter contribuído diretamente para o agravamento do problema no ano seguinte.
Neste ano, 259 mil buracos já teriam sido tapados, ainda conforme a apresentação do secretário, tendo atingido seu ápice de reparos nos primeiros quatro meses deste ano, somando quase 160 mil reparos.
A partir de maio, quando a Operação Buraco sem Fim foi deflagrada, a prestação do serviço registrou uma queda significativa de produção.
E nesta semana, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) identificou falhas na usina de asfalto do Consórcio Central-MS, durante inspeção surpresa realizada em Campo Grande. O local produz massa asfáltica utilizada nos serviços de tapa-buraco da Capital.
Conforme o TCE-MS, a inspeção incluiu a verificação dos controles de produção e o acompanhamento da aplicação do material nas vias públicas, com foco no cumprimento dos critérios técnicos e na qualidade dos serviços executados.
Durante a vistoria, a equipe técnica identificou falhas no controle de pesagem dos caminhões.
Gaeco tinha pedido prisão de delegado, mas Justiça negou
O advogado José Roberto da Rosa afirmou que o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), pediu a prisão do delegado Guilherme Scucuglia Souza, ex-chefe da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron).
Porém, a solicitação foi negada pela justiça em razão da ausência de provas contundentes, segundo ele. A informação foi confirmada durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira.
Com isso, a justiça decretou apenas o mandado de busca e apreensão, cumprido na quinta-feira, durante a segunda fase da Operação Infiltrados. De acordo com a defesa, a única menção ao delegado nas investigações provém de uma conversa entre supostos traficantes, que mencionaram um “delegado cabeludinho” durante uma incineração de drogas.
“A busca e apreensão foi designada porque numa interpretação feita, numa conversa entre duas pessoas que não delegado, teriam feito menção à questão envolvendo um delegado cabeludinho. Mas que não tinha absolutamente nada a ver com o malfeito. Era uma interpretação que se deu à época sobre essa conversa entre terceiros. Esta conversa que houve entre dois interlocutores aconteceu no meio de uma situação em que uma droga ia ser incinerada”, disse o advogado José Roberto da Rosa.
As equipes do Gaeco cumpriram o mandado de busca e apreensão no gabinete e na residência do de legado, porém, de acordo com José Roberto da Rosa, nada de interesse da investigação foi arrecadado, “nenhum evento”. Atualmente, Guilherme está lotado na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf).
TRANSFERÊNCIA Scucuglia foi transferido para a Defron pela cúpula da Polícia Civil para investigar supostos desvios de conduta dos seus companheiros de profissão e trazer informações sobre o que ocorria internamente, não participar de ilícitos, de acordo com o advogado.
Rosa diz que a implicação do delegado nas investigações resultou de um “desencontro entre as instituições” e ausência de troca de informações. A Polícia Civil tinha conhecimento de sua função investigativa interna, mas o Gaeco, que inves
Justiça libera ao Master R$ 1,4 milhão retido pelo IMPCG
A Justiça derrubou a liminar que permitia à Prefeitura de Campo Grande e ao Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) reterem R$ 1,4 milhão em parcelas de empréstimos consignados para tentar recuperar dinheiro aplicado no Banco Master.
Por unanimidade, a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) acolheu o recurso da instituição financeira e autorizou a liberação dos valores depositados judicialmente à massa liquidada.
A decisão retira do instituto a garantia que sustentava a tentativa de recuperar o investimento por meio de uma compensação. O dinheiro bloqueado não correspondia à aplicação previdenciária, mas às prestações de empréstimos descontadas dos salários de servidores municipais que deveriam ser repassadas ao Master.
Com a revogação da medida, o IMPCG terá de buscar o reconhecimento e a recuperação do crédito no procedimento de liquidação extrajudicial.
O julgamento representa uma derrota para a estratégia adotada pelo município, mas não significa, por si só, que a perda do investimento seja definitiva.
O recurso foi analisado sob a relatoria do desembargador Cezar Luiz ����� Miozzo������������������������ . No entendimento do colegiado, a prefeitura e o instituto não poderiam utilizar os consignados para satisfazer o crédito previdenciário sem submetê-lo ao procedimento de verificação de credores.
A controvérsia começou após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.197 do Correio do Estado. Acervo de edições