Correio do Estado

Sábado e domingo, 7 e 8 de novembro de 2026

Edição nº 23.197

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Correio do Estado, Sábado e domingo, 7 e 8 de novembro de 2026 — página 8

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ENFIM, O ENEM! E...?

Especialistas em saúde mental e da família, psiquiatra e nutricionista dão dicas e exemplos práticos de alimentação, citam qual é o papel dos pais para acalmar os candidatos na “prova do ano” e o que se deve, ou não, fazer nas últimas horas que antecedem o Exame Nacional do Ensino Médio

“Grandes quantidades de café, energéticos, balas e doces na tentativa de aumentar a concentração pode provocar efeitos indesejados. Trocar o jejum ou um café da manhã improvisado por uma refeição com pão, ovo e fruta. Os salgadinhos e biscoitos recheados por frutas, castanhas ou um sanduíche simples. E o excesso de café e os energéticos por água, respeitando também a necessidade de sono e descanso”, conclui Carolina. Enem costuma afetar os candidatos de diversas maneiras, gerando ansiedade e prejudicando o sono, a memória e, inclusive, a capacidade de concentração

Neste domingo, acontece o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio 2026 (Enem), avaliação que, além das horas de estudo exigidas, tende a ser uma verdadeira “maratona” de cinco horas e meia de prova, que cobra do candidato estar preparado física e mentalmente.

Restando poucas horas para o desafio, especialistas em saúde mental e da família dão dicas práticas e abordam também o papel dos pais para acalmar os estudantes que estão indo rumo à “prova do ano”.

Professor do curso de Medicina da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e cooperado da Unimed Campo Grande, o psiquiatra dr. José Carlos Rosa Pires, que tem PhD em Saúde Mental, frisa que nessas últimas horas é preciso lembrar que “o que tinha que ser feito já foi [feito]”, com o momento exigindo mais uma revisão.

O especialista frisa que, desde o início dos estudos, é importante usar o máximo dos sentidos, fazer um resumo por escrito do que acabou de ler, gravar o que escreveu e depois ouvir e executar o máximo dos exercícios à mão, evitando os dispositivos eletrônicos.

“Para treinar, inclusive, a letra, que essa tecnologia de teclar tem feito muitos jovens abandonar a escrita. Escrever um resumo do que leu, em seguida, ler o

Café pré-Enem resumo enquanto grava e depois escutar a gravação”, cita o médico psiquiatra sobre o que podem ser bons exercícios.

SONO E FAMÍLIA Como reforça o médico, o cérebro de um adolescente ainda está em fase de desenvolvimento, motivo pelo qual um estresse prolongado gerado no período do Enem tende a afetar esse indivíduo de diversas maneiras, gerando ansiedade e prejudicando o sono, a memória e, inclusive, a capacidade de concentração.

“A pressão externa e interna do próprio adolescente afeta, e muito, a sua vida, tanto física, emocional e social, levando à ansiedade, inquietação, irritabilidade, oscilações do humor, insônia, sono interrompido pela madrugada, chamado de insônia intermediária, memória comprometida em razão do grande número de conteúdos para serem gravados, e a capacidade de concentração”, diz.

Justamente por esse motivo, o médico destaca a necessidade de os adolescentes dormirem, até mais do que os adultos, pois precisam ter seus períodos de descanso e lazer em que não vão estar falando sobre o exame para a boa manutenção da saúde mental.

“Priorizar o sono, que durante esse período há produção de neutrófilos, linfócitos, que são as células brancas de defesa do or ganismo, que aumentam a imunidade. [Nesta fase do desenvolvimento,] é enquanto dormem que são produzidos 85% dos hormônios do crescimento. Isso é primordial para o adolescente no seu crescimento físico, emocional e social”, afirma.

Também os pais e as mães têm um papel importante nessa etapa da vida dos filhos, pois, tratando-se de um momento de extrema tensão, o dr. José Carlos Rosa Pires de Souza reforça que os responsáveis devem deixar os adolescentes tranquilos e dizer para que eles façam o melhor dentro dos seus limites.

“Não fique pressionando e não deixe que o adolescente se pressione também. E buscar ajuda quando estiver tendo prejuízos frequentes no humor, irritabilidade, perda de paciência, ideia de suicídio, ideia de automutilação, que aí já são quadros sérios que precisam de ajuda psiquiátrica e/ou psicológica, na maioria das vezes, os dois”.

ESTRESSE PROLONGADO Quando finalmente chega a hora em que o estudante se depara com a avaliação, não é raro que muitos candidatos declarem inclusive o conhecido sentimento de “branco” na hora da prova, o que pode até mesmo incluir episódios de taquicardia, que o médico psiquiatra também cita que podem estar ligados a um quadro de ansiedade.

“Eles [os candidatos] têm muita crise de ansiedade, mesmo aqueles que nunca tiveram podem ter na hora da prova. Com isso, eles ficam focados na crise, e não na memória, por isso chamam de ‘branco’. A diferença entre uma ansiedade normal esperada pelo momento do Enem e uma ansiedade patológica, doentia... A palavra-chave é prejuízo, seja físico, emocional ou mesmo social”, complementa o médico.

COMIDA: VILÃ OU AMIGA Pós-graduada em Gerontologia (ciência multidisciplinar que estuda o processo de envelhecimento humano em suas múltiplas dimensões, biológica, psicológica, social, econômica e cultural), a mestre em Saúde da Família pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e nutricionista da Unimed Campo Grande Carolina Laís dos Santos dá dicas alimentares práticas para os candidatos chegarem 100% na hora de realizar a prova.

Ela frisa que é importante priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, conforme recomenda o Guia Alimentar para a População Brasileira, o que inclui frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, ovos, carnes e outros alimentos que já façam parte do hábito alimentar do estudante e fornecem nutrientes importantes para o funcionamento do organismo, além de contribuir para uma ofer ta adequada de energia ao longo do dia.

“Na véspera da prova, vale evitar refeições muito gordurosas, frituras, excesso de alimentos açucarados e preparações às quais o estudante não esteja acostumado, pois podem provocar desconfortos gastrointestinais”, comenta Carolina.

Considerando que o Enem exige várias horas de concentração e esforço cognitivo, a profissional afirma que o ideal é que o estudante não realize a prova em jejum, sendo necessário no dia de prova um café da manhã completo, com fontes de carboidratos, proteínas e fibras, que contribuem para o fornecimento de energia e a saciedade.

“Uma sugestão prática seria pão integral com ovo mexido ou queijo, uma fruta, como banana ou mamão, e leite ou iogurte natural. Outra opção seria uma preparação com aveia, leite e banana, acompanhada de ovos. Essa combinação oferece diferentes nutrientes e ajuda a evitar que o estudante sinta fome muito cedo”.

A mestre em Saúde da Família ressalta que é importante compreender que não existe um alimento específico capaz de garantir concentração durante cinco horas, já que o desempenho também depende de fatores como sono, hidratação, preparo prévio e condições individuais.

“Não é interessante experimentar alimentos novos ou consumir quantidades muito maiores do que o habitual justamente no dia da prova”.

Segundo ela, pular refeições ou realizar a prova em jejum está entre os três erros mais comuns, pois aumentam a fome e o desconforto durante a avaliação, bem como substituir refeições e lanches por ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, etc., além dos exageros em estimulantes e alimentos açucarados. Para isso, ela dá três trocas simples.

Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.197 do Correio do Estado. Acervo de edições