Correio do Estado

Sábado e domingo, 7 e 8 de novembro de 2026

Edição nº 23.197

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Correio do Estado, Sábado e domingo, 7 e 8 de novembro de 2026 — página 12

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+POESIA Flora na Academia

coisas de vó

Escola Normal Dom Aquino Corrêa, de Três Lagoas. Posteriormente, frequentou o curso CADES, em Campo Grande, e a Faculdade Estadual de Mato Grosso, adquirindo a sua formação como professora de Língua Portuguesa. Formou-se, pela UFMS, em Letras, e fez pós-graduação em Bauru (SP).

Definida por Glorinha Sá Rosa como “uma professora na acepção plena da palavra”, Flora lecionou – com o mesmo devotamento - para todos os níveis: do curso primário ao universitário. E ela própria, mesmo após a aposentadoria, era consciente da importância do magistério: ofício que exerceu por mais de quatro décadas, como bem afirmou: “Considero-me mais professora que poeta e escritora, tão feliz fui na profissão”.

Entretanto, Flora Egídio Thomé também assegurava: “Depois que me aposentei, encontrei na Literatura a razão do preenchimento de meus dias (...) não posso passar um dia sem ler, sem escrever ou sem ouvir música”. Assim, escreveu e publicou as obras: “Cirrus”, “Cantos e Recantos” (poemas), “Canção desnuda”, “Retratos” (poesia), “Nas águas do tempo” (haicais), além de ter organizado a “Antologia dimensional de poetas três-lagoenses”.

Acadêmica vibrante, Flora revelava com humildade e doçura: – “Situo-me como mais uma na Literatura de nosso Estado. Sinto-me feliz por fazer parte da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras... recebi homenagens. São momentos que enriquecem a própria existência, ainda mais quando não se tem filhos, nem um companheiro, como eu, porque estas coisas preenchem nosso vazio, diminuem nossa solidão”.

Descanse em paz, Flora... já não há vazio e solidão... Há a imensidão dos céus e as sendas floridas do infinito...

Há em tudo um mistério. Um meandro, uma cabala. Um sinal de mito no muro. Quero ser um siriemo fora dos ermos dos pantanais. Levo do pântano muita música a reboque. Quem quiser que me toque. Eu fiz lira do meu bodoque.

Natálya, minha neta

Correndo pela casa, encantadora, Vestidinha de azul, cheia de graça, Fazendo da boneca uma mandora, Por entre todos ela sorrindo passa...

Canta, murmura, sapateia, dança, E nuns requebros imitando a garça, Vai e retorna sacudindo a trança, Enquanto a perna da Miloca esgarça...

Princesinha do lar... botão de rosa, Cheia de chiste, bem lampeira e prosa, Em reboliço põe a casa inteira...

E fica, nos encantos que irradia, Pelas momices cheias de magia, Muito mais linda, muito mais faceira!

As distâncias percorridas pela Expedição de Mato Grosso*

ACYR VAZ GUIMARÃES – ocupou a Cadeira nº 16 da ASL

As distâncias percorridas pelas tropas da Expedição Mato Grosso foram medidas em léguas. Uma légua corresponde a 6,6 km.

Obtinha-se a medida de uma légua pelo tempo percorrido por um animal carregado. Estimava-se que eram percorridos 66,86 metros em um minuto. Sabendo-se quantas horas (e frações) de marcha, logicamente seria conhecida a distância percorrida.

O relógio, portanto, era o indicador utilizado para determinar as distâncias percorridas. Face à natureza dos terrenos e condições outras, a medida deixava a desejar. Era

ARASSUAY GOMES DE CASTRO – ocupou a Cadeira nº 24 da ASL

Calendas – nome derivado da palavra grega kalendas, com o significado de chamar, convocar. Era o primeiro dia de cada mês, assim designado porque, ao alvorecer da lua nova, convocava-se o povo em praça pública para avisá-lo sobre as coisas que se dariam naquele mês. Não obstante, a origem dos calendários perde-se na noite dos tempos. Os povos primitivos guiavam-se pela luz do dia, mas o cálculo do tempo era medido pelas fases da lua. Uma lua correspondia a um mês de vinte e oito dias, e era baseado nas ocorrências astronômicas naturais como as estações que eles simplesmente desconheciam, nas fases lunares e pela marcha aparente do sol no zodíaco.

O primeiro calendário foi criado pelos povos antigos – os assírios – durante o reinado de Hamurábi, mais tarde aproveitado pelos egípcios, gregos e romanos. Este tipo de medida de tempo era calculado pelas fases da lua. Um ano de treze meses, todos com 28 dias, perfazendo

ALTEVIR ALENCAR – ocupa a Cadeira nº 34 da ASL

Quem se voltar, numa visão histórica, para os primórdios da vida humana em suas mais primitivas constituições tribais, verificará ali, naquelas instâncias da pré-história, o velho predador de impulso brutal passado para a condição de caçador, e a seguir, de pastor, com a utilização dos primeiros artefatos de pedra, a descoberta da alavanca e do fogo; e já então as primeiras manifestações da Arte, o sentido do Belo nas pinturas rudimentares. Reproduzirá o ritmo cantante da Natureza e daí nascerá a Música.

Vale ressaltar, contudo, que os sertanejos contratados como guias de coluna conheciam as distâncias e assim elas puderam ser aferidas.

A marcha Coxim – Miranda: Coxim – Rio Negro, 24,25 léguas; Rio Negro – Taboco, 17,50 léguas; Taboco – Porto Sousa, 7,00 léguas; Porto Sousa – Miranda, 9,75 léguas.

A marcha Miranda – Rio Apa: Miranda – Nioaque, 25,00 léguas; Nioaque – Rio Apa, 24,50 léguas. A marcha para Laguna, ida e volta, 7,00 léguas.

A marcha da Retirada: Rio Apa – Fazenda Jardim, 16,00 léguas; Fazenda Jardim – Porto Canuto, 19,00 léguas.

A marcha para Cuiabá: Porto Canuto – Ri beirão Correntes, 5,00 léguas; Ribeirão Correntes – Cuiabá, 160,00 léguas.

Somando-se estas distâncias à de Uberaba a Coxim, que foi de 178,00 léguas, vamos ter a respeitável soma de 492,00 léguas, ou 3.253 quilômetros. As tropas que vieram de São Paulo e marcharam para Uberaba percorreram 568 léguas ou 3.748 quilômetros; e as vindas de Ouro Preto, marcharam também por Uberaba, 595 léguas, ou 3.927 quilômetros.

Distâncias vencidas a pé, pelo soldado. Valente soldado! Um forte!

* Fragmento do livro “Seiscentas Léguas a Pé”.

ço para cair no dia 11 daquele mês. No intuito de se manter o início das estações no mesmo dia previsto até então, o papa Gregório XIII determinou duas grandes revisões: eliminaram-se 10 dias do mês de outubro – 4 de outubro de 1582 veio a tornar-se o último dia do Calendário Juliano e o dia 15 de outubro (na realidade era o dia 5) tornou-se o primeiro dia do novo calendário, que passou à história universal com o nome de Gregoriano, até nossos dias. Embora nunca se tenha tentado aperfeiçoar o atual calendário gregoriano, ele não é absolutamente preciso, prevendo-se que o erro de tempo, acumulado em 32 séculos, deverá perfazer o total de 23 horas, seis minutos e quarenta segundos, quase um dia, em 3.200 anos.

Já o calendário judaico teve início quando o patriarca Abrão chegou à Terra Prometida no ano de 3760 antes da era vulgar e começa religiosamente na noite que precede a fase da lua nova do mês de setembro de todos os anos, e é uma combinação dos sistemas lunar e solar. Pelo cálculo deste calendário, o ano de 1993 de nossa era é para eles o ano de 5753.

Seiscentas léguas a pé!

comportamento, de punição e de castigo, formando-se as primeiras leis de convivência, os códigos de disciplina. As conquistas humanas surgiriam a seguir em progressão geométrica. Hoje investiga as moradas do Cosmo. Mas... não perdeu suas viciações milenárias. O fastígio do poder. O seu orgulho como rei da criação.

Se as conquistas são meritórias não cabe retroagir. Mas, se não fazem o homem melhor, algo de essencial está faltando. Eis a questão. Todo o avanço da técnica é só saber, globalizado o conhecimento, responder por posicionamento unilateral da realidade, aquele que só enxerga o

Noite na chácara

Tudo é silêncio. A natureza dorme. Nada se vê na escuridão sem fim. Mas lentamente a mata se ilumina E a lua surge, qual níveo jasmim. No espaço infinito ela vai subindo. Majestosa domina a amplidão E a sua luz, vendo brincar nas folhas, Rendas de sombras estende no chão. Tudo se aclara, mas silêncio em tudo; Recorta-se no azul o horizonte Reino de fada encantamento mudo. Assim na vida – após a mocidade. Quem sonhou, quem sofreu e muito amou. Sente na alma a noite – que é a saudade

Estou caminhando O movimento nas ruas é intenso Mas, só dentro de mim Fora, apenas o caminho do silêncio Este sim, avança temerosamente Que seus passos Ensurdecem minha espera triunfo e a glória de momento, do homem-matéria, de inteligência viva do hoje. Vangloria-se o homem de sua inteligência sem lembrar ou sequer admitir que ela é apenas uma fração infinitesimal de uma inteligência sem limites, universal e generosa. Adquire o homem o saber, o conhecimento, e isso é importante e indispensável. Mas tão raros chegam a adquirir a sabedoria, o entendimento superior em que todo o saber se ajusta a leis soberanas. O saber em si enobrece, quando a sabedoria edifica. O saber, por vezes enobrece, enquanto a sabedoria, esta sim, engrandece.

Por isso, há uma distância imensurável que separa os Homens sábios daqueles de Sabedoria.

A medida do tempo

o total de 364 dias. Durante o reinado do imperador romano Júlio César, o mês de janeiro caía no outono; mas, no ano 45 antes da era cristã, aquele imperador, seguindo o modelo do calendário dos povos antigos – os egípcios – cujos sábios haviam criado uma fórmula baseada no movimento aparente do sol, reformou o calendário até então em uso em Roma e estabeleceu o ano romano com 365 dias e seis horas, compensando essa diferença com a criação do ano bissexto, de 366 dias, a cada quatro anos. Esse sistema de cálculo dos anos bissexto do calendário Juliano foi modificado posteriormente, contando-se 97 anos bissextos a cada quatro séculos, em vez de 100 anos. Essa modificação na estrutura da medida do tempo passou à história universal com o nome de Calendário Juliano e vigorou até a Idade Média.

No fim do século 16, exatamente no ano de 1582, a diferença entre o Calendário Juliano e o início das estações no continente europeu já davam uma média de 10 dias, pois a data da entrada do outono mudara do 21 de mar

Evolução e sabedoria

A fala lhe será atributo específico; a riqueza dos recursos das mãos desenvolverá a capacidade criativa. Reconhecerá forças superiores às suas e lhes renderá culto. Desde as primeiras imposições das circunstâncias entenderá a necessidades de divisão do trabalho, de que resultariam hoje as profissões e as especializações. Buscando um sentido ulterior a tudo que via criaria as diferentes filosofias. Observando e experimentando reações de toda natureza originaria a Ciência. A lei do esforço mínimo e a engenhosidade inata criariam a tecnologia. A lei de causa e efeito, a consciência dos atos bons ou maus dariam noções de

Texto extraído do PDF da edição impressa nº 23.197 do Correio do Estado. Acervo de edições